Fui dos principais críticos de Luís Pinto, desde o início da sua aventura no Vitória.
Desde logo, por ter querido implantar um sistema táctico que em nada se coadunava com os jogadores que tinha.
Depois, por, após ter voltado atrás, apresentar um discurso redondo, sem rasgo, percebendo-se que teria dificuldades em impor-se perante os jogadores.
Além disso, por se perceber as dificuldades que o onze tinha na transição defensiva. Na falta de soluções ofensivas. Num sistema estereotipado, digno de um disco riscado.
Mas, se naquela altura, como adepto podia ser emocional, também o poderia ser a qualquer momento. Até ontem, ou hoje de manhã, quando perguntava, sem nada saber, qual seria o futuro do treinador.
Mas, se a emoção é essa, do outro lado tem de estar a razão. E essa não passará pela conquista da Taça da Liga que, há três dias era um feito extraordinário mas hoje já não parece contar para grande coisa. Aliás, escrevi aqui que cabia ao Vitória escolher se Luís Pinto seria um novo Geninho (despedido após ganhar a Supertaça Cândido Oliveira) ou um Rui Vitória (mantido após averbar derrotas atrás de derrotas na época seguinte à conquista da Taça de Portugal).
A escolha já é óbvia. Porém, a nove jornadas do final do campeonato, com o apuramento europeu seriamente comprometido, sem Taça de Portugal, terá valido a pena tomar esta decisão?
Tanto para quem sai, como para quem estará. Com um plantel que não é o seu, sem as suas rotinas de jogo e com muito pouco a ganhar mas tudo a perder!
Lá está… emocionalmente Luís Pinto muito foi durando, graças a um histórico título nacional. Porém, racionalmente o prazo para a separação já tinha prescrito… mas isso sou eu, que não sou presidente!
