COMO O MIÚDO ABREU TORNOU-SE SÍMBOLO PARA SEMPRE...

Falar de Abreu é recordar um dos jogadores mais relevantes da história vitoriana entre a década de 70 e de 80 do século passado e que daria os passos mais significativos da carreira no Vitória.

Tanto assim foi, que nascido em São Martinho de Candoso, bem perto do centro, proveniente de uma prole de cinco irmão (quatro rapazes e uma rapariga), ainda que quando a futura estrela vitoriana veio ao mundo, só existisse a menina.

Tal causava-lhe óbvias complicações, pois, como se escreveu na revista Ídolos de Agosto de 1978, "quando começou a ter idade para as brincadeiras é que tinha uma irmã com a qual não podia contar para certos folguedos pois ele era rapaz e ela, não jogava futebol, uma doença que cedo o minou..." Tal deveu-se ao pai ser um apaixonado adepto e sócio vitoriano, que ao contrário do que ia sucedendo em muitas famílias, "sorria contente ao ver o filho a estragar os sapatos,. enquanto dizia que o miúdo tinha jeito para a bola."

Deste modo, entre os campeonatos de berlinde, do saltar ao eixo e "uma ida aos ninhos", o sonho de se tornar jogador de futebol ia crescendo, fortalecendo-se.

Seria já a frequentar na escola primária, que numa altura diferente da de hoje em que as escolas de futebol burilam os talentos, que tomaria contacto com o Vitória, com o pai a levá-lo a um jogo. "Claro que o Abreu ficou deslumbrado. Aquilo é que era bom, jogado assim num campo baril como o da Amorosa." Seria o rastilho imparável para desencadear o amor pelo Vitória e pelo jogo pelo que "passou a assediar o pai, que de futuro passou a levar o filho mais vezes consigo."

E seria o pai, quando o filho contava com 12 anos, que lhe abriria as portas vitorianas. "O miúdo foi logo aproveitado. Ingressou no futebol juvenil...", chegando aos juniores quatro anos depois, levando a que houvesse festa em casa. A vida, contudo, modificava-se, tornando-se a escola incompatível com os seus sonhos. "Não tinha queda para os livros e, assim, não podia formar-se. O único canudo que lhe estava ao alcance era o de obter uma formatura em futebol."

Assim seria, com o apoio familiar e com todos a vibrarem com os êxitos do jovem. ... "Quando o Vitória ganhava já se sabia. Era uma festa! O pai quase perdia a cabeça e os irmãos até deitavam foguetes. O pior era quando vinha uma derrota. Bem, nesses dias, o Abreu nem jantava..."

Seria nos juniores que chegaria a internacional júnior vitoriano, levando-o a conjugar a camisola vitoriana com a das Quinas, numa aventura que o levou a Espanha, França e ao Mónaco.

Até que chegou o momento mais desejado... "Mário Wilson começou a olhar particularmente para ele, a monologar que, na realidade, o miúdo sabia mesmo da poda." Fá-lo-ia estrear-se nas últimas jornadas da temporada de 1972/73 para o levar na digressão vitoriana aos Estados Unidos e ao Canadá onde deu nas vistas. Era mais do que uma esperança e, a partir daí, seria um nome incontornável na história vitoriana. Haveriam de ser 322 jogos de Rei ao peito, num homem que, ainda hoje, assume o Vitória como a sua segunda pele... um dos nossos para sempre!

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