COMO OSVALDINHO CHEGOU A GUIMARÃES GRAÇAS A UMA DAS TORRES DE BELÉM E A UM OLHEIRO COM OUTRA OCUPAÇÃO...

Há histórias que se guardam não só pela memória, mas pelo coração. Esta é uma delas.

Uma história de amor, de talento e de coincidências que se cruzam no tempo. Uma história que começou muito antes de Osvaldinho pisar os relvados com a camisola do Vitória, e que lhe daria, ainda em vida, uma homenagem que jamais terá esquecido.

Tudo começou em 1955, quando António Feliciano, uma das míticas Torres de Belém e considerado pelo L'Équipe o melhor defesa central da Europa em 1947, se instalou em Beja. Ali chegava não para brilhar como jogador, mas para trabalhar no Desportivo de Beja, onde formou uma escola de futebol. Foi nesse ambiente, entre treinos e sonhos, que encontrou Firmino Sardinha, ainda muito jovem, mas já com um talento que brilhava como luz própria.

Firmino viria a ser conhecido como Osvaldinho, e rapidamente conquistou o futebol sénior. O seu talento não passou despercebido: António Teixeira, comerciante de Beja com ligações ao Norte, percebeu que ali havia uma pérola e falou aos responsáveis do Vitória. Convencidos, chamaram-no a Guimarães. Assim começou uma ligação de 17 anos como jogador, ainda que entrecortados pelo serviço militar, que o levou a jogar por empréstimo no Boavista e no Benfica de São Tomé e Príncipe.

Osvaldinho não seria apenas um jogador. Seria símbolo, exemplo e história viva do clube.

Internacional AA português por duas vezes, teve momentos que marcaram para sempre, incluindo uma exibição memorável na Catedral de Wembley, frente à Inglaterra.

Mas mais do que números ou troféus, ficará a imagem de um homem que mereceu ser homenageado em vida, que partilhou paixão e alegria com todos, e cujo coração, cheio de amor pelo futebol e pela vida, nunca deixou de bater por Beja, por Guimarães, pelo Vitória.

62 anos depois, recordamos Osvaldinho com saudade, mas com um travo doce de alegria, porque algumas histórias têm o poder de nos fazer sorrir mesmo quando os seus protagonistas já partiram.

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