COMO MUSLADINI, QUE PARTILHARA O BALNEÁRIO COM MARADONA, DESAPARECEU SEM DEIXAR RASTO...

O Vitória na temporada de 1979/80 parecia começar um novo ciclo.

Um ciclo que já não contava com o treinado Mário Wilson, impedido para a vida, em Assembleia-Geral, de voltar a treinar os Conquistadores e com o ciclo de Gil Mesquita prestes a findar, pois a sucessão deveria ocorrer durante esse exercício.

Para resolver a primeira situação seria contratado o treinador Mario Imbelloni, um argentino que, depois de uma carreira de jogador que o levou a chegar a Portugal após ter inclusivamente militado no Real Madrid, apostara na de técnico, tendo treinado o Famalicão no ano antecedente.

Com o novo treinador, a ambição era enorme, como confessava ao Norte Desportivo, o chefe do Departamento de Futebol, Adérito Borges, ao dizer que "que queremos ganhar o nosso campeonato e classificarmo-nos para a Europa." Atendendo às condicionantes do futebol de então, tal significava que o conjunto vitoriano tinha de conseguir uma posição entre os quatro primeiros lugares da tabela classificativa

Para isso ser uma realidade, urgia, também, reforçar a equipa. E nomes, na verdade, não faltavam com alguns a darem os primeiros passos para entrarem na história vitoriana. Assim, quem poderá esquecer homens como Joaquim Rocha, Gregório Freixo, Tozé, Festas ou Vítor Manuel que foram importantes naquele e em épocas subsequentes da história vitoriana. Além destes, a publicação consultava anunciava que "sendo previsível a contratação de um craque brasileiro", que haveria de ser o médio Paulo César que, apenas, haveria de actuar numa partida do campeonato e durante, apenas, 30 minutos.

Mas se Paulo César foi uma verdadeira desilusão, o que dizer do central argentino Carlos Alberto Musladini?

Formado no Boca Juniors, onde partilhara balneário com um tal de Diego Armando Maradona, chegou a Guimarães, após ter-lhe sido lançado o desafio por um empresário de futebol em jogar na Europa. Defesa central de origem, tinha actuado por quatro vezes com a camisola do emblema xeneize, que no ano de 1978 venceu a Copa Libertadores.

Em entrevista dizia que "aceitei a ideia porque o meu clube tinha 45 profissionais e não era fácil eu conquistar um lugar." Mais do que isso, mostrava-se optimista ao afirmar, sem pruridos, que "conseguirei um lugar de efectivo." Para isso, tinha de convencer os responsáveis vitorianos das suas capacidades, ainda que Adérito Borges referisse que "é natural que fique no clube, talvez na próxima semana tudo já esteja concluído, dependendo sempre do parecer da parte técnica."

Tudo sairia gorado...e de Musladini, o tal que partilhou balneário com Maradona, perder-se-ia o rasto. Nem no Zerozero se encontra vestígios, ainda que um irmão mais novo viesse, uns anos depois, a envergar, também, a camisola do Boca Juniors... mas isso será outra história
 

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