Aquela temporada de 1987/88 estava a ser uma desilusão.
A aposta em René Simões para treinador revelara-se um fiasco e a equipa denotava clara orfandade de nomes como Roldão e, principalmente, Paulinho Cascavel. Por isso, os resultados estavam muito aquém do esperado, levando a que Pimenta depois de "prolongar a vida do treinador" graças à célebre frase "o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira", acabaria por despedi-lo.
Seria substituído por António Oliveira, que até começou de modo bastante satisfatório, para, posteriormente, começar a perder gás e chegar ao derby do Minho, na penúltima jornada da primeira volta, proveniente de três derrotas.
E se o cenário era mau, ficaria ainda pior passados três minutos do apito inicial, quando a equipa constituída por Lopes; Costeado, Miguel, Bené; Nené, Carvalho; Rui Vieira, Adão; Kipulu, Ademir e Caio Júnior sofreu o primeiro golo apontado por Santos. Era a necessidade do treinador desmontar o esquema ultra-defensivo que apresentara naquela tarde de 24 de Janeiro de 1988, com três centrais e com Rui Vieira a dar ainda uma mão aos centrais, numa frustrada tentativa de dotar a equipa de solidez. Porém, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 29 de Janeiro de 1988, "teve de rectificar, fazendo entrar Tozé II para o lugar de Bené, aumentando assim a frente de ataque, retirando um dos três centrais."
Porém, a equipa continuou a acumular "muitos erros colectivos e não conseguiu entender-se na táctica do fora de jogo." E, por isso, a equipa da casa chegaria ao segundo golo, dando a entender que os Conquistadores iriam averbar a quarta derrota consecutiva na máxima prova inicial.
Mas, a luzinha vitoriana começaria a acender-se quase logo de seguida, quando Rui Vieira apontou um dos dois golos que foi capaz de realizar nos 85 desafios que disputou de Rei ao peito... a segunda metade ia ser disputada!
Nesta, "houve uma rectificação total no comportamento no sector defensivo", potenciando uma recuperação que surgiria graças ao golo de Caio Júnior. Os Conquistadores pareciam escapar do cadafalso das derrotas consecutivas e melhor poderiam ter ficado, "porque os vimaranenses desperdiçaram uma grande penalidade, por mérito de Velinov (o guardião da equipa da casa) ou demérito de Ademir, que não costuma perder estas oportunidades."
O Vitória ganhava, apesar de tudo, um balão de oxigénio, quebrando um terrível ciclo, que haveria de rapidamente se esgotar na semana seguinte, aquando do tristemente célebre jogo com o Boavista... mas isso será outra história.
