COMO EM BRAGA, PARA PERES, NUMA DELICIOSA LIÇÃO, O VITÓRIA GANHOU O DERBY ANTES DE ELE COMEÇAR...

Aquela temporada de 1966/67 estava a ser difícil para os Conquistadores.

Depois do brilhantismo da época anterior, os Conquistadores depauperados pelas partidas dos desequilibradores Djalma e José Morais, sentiu dificuldades inesperadas, confirmadas até pelo facto de ter iniciado o campeonato com três derrotas consecutivas.

Haveria de entrar em retoma, ainda que chegasse aquela 11ª jornada, etapa do campeonato em que iria defrontar o eterno rival em sua casa, a cinco pontos dele. Com efeito, a turma bracarense era a surpresa da prova, posicionada no terceiro lugar, só com Benfica e Académica à sua frente, e com cinco pontos de avanço para os Conquistadores.

Contudo, nesse dia 18 de Dezembro de 1966, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães publicado no dia de Natal desse ano, "O Vitória contrariou. expectativa geral, reafirmando com poderosos argumentos a sua condição de equipa acima daquela mediania que permite prognósticos antecipados, seja em que jogo for."

Deste modo, o onze composto por Roldão; Gualter, Manuel Pinto, Joaquim Jorge, Costeado; Peres, Silva; Castro, Miranda, Mendes e Lázaro e orientado pelo francês Jean Luciano adoptou uma estratégia vencedora. Como especificou o jornal já citado, "...o adiantamento dos laterais da defesa vimaranense até ao terreno dos extremos bracarenses constituiu um bem concebido antídoto táctico para o processo habitual da turma de Fernando Caiado, que claramente a perturbou e lhe impediu o desmobilar do seu futebol de contra-ataque ardiloso."

Uma estratégia determinante e que haveria de ser reconhecida pelo capitão Peres, que em entrevista ao jornal A Bola de dia 22, daria uma deliciosa lição de conhecimentos tácticos, justificando a razão de dizer que o jogo fora ganho antes de ele ser encetado: "Dentro da planificação táctica manifestada pela turma do Sporting de Braga, é de aceitar que a posição dos seus pontas de lança tenha causado sérias perturbações a algumas defesas. Essas perturbações justificam alguns resultados. Creio, até, que foi ela que confundiu a defesa do Benfica, no jogo disputado em Braga. Isso, naturalmente, conduziu-nos, domingo passado, a cuidados especiais. E assim, foi determinada uma marcação cerrada aos pontas de lança contrários, de forma a que Joaquim Jorge vigiasse Perrichon e Pinto marcasse Adão. Entretanto, os nossos defesas laterais adiantaram-se, ainda que sem preocupações de marcação cerrada, mas com a pretensão de não perdermos o meio-campo. Tentamos, desse jeito, uma igualdade de forças no meio do terreno." Atendendo a esses preceitos, explicados professoralmente, quase como se de uma lição se tratasse, concluía que "foi exactamente a nossa construção táctica que nos permitiu chegar ao triunfo. A um triunfo, pelas razões que expliquei, assegurado antes do jogo ter começado."

Porém, apesar dessa estratégia extremamente feliz, a partida foi tudo menos fácil. O Vitória adiantou-se no marcador por intermédio de Miranda, permitiu o empate da equipa da casa na segunda metade, adiantou-se novamente por intermédio de Castro, voltou a sofrer o empate e acabaria por sorrir graças ao tento do triunfo da autoria de Lázaro. Uma contenda imprópria para cardíacos e que, depois, do início titubeante dava confiança aos Conquistadores, confirmada pelas palavras do seu capitão ao referir que "a equipa tem evoluído. Caminha para o melhor plano. As soluções que o treinador tem tentado, são sempre feitas em ordem a atingir-se o desejado objectivo." E, assim, também, sucederia na jornada seguinte frente ao FC Porto, ainda que, no final, a época acabasse mesmo por ficar aquém do desejado... mas isso será outra historia!

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