A história que vamos contar leva-nos até à década de 30 do século passado. Os anos do pioneirismo vitoriano, dos primeiros títulos e de nomes que o tempo jamais apagará. Entre eles, o do jogador treinador Alberto Augusto, o guarda-redes Ricoca ou os jogadores de campo Virgílio, Zeferino, Ferraz ou Bravo, entre outros.
Esta foi contada por este último em entrevista recapitulava da sua carreira ao jornal Notícias de Guimarães de 04 de Dezembro de 1992, numa peça destinada a recordar Alberto Augusto, o treinador, que chegado a Guimarães, catapultou o Vitória para o lugar de força maior do distrito e da região.
Porém, este momento, nada tem a ver com o fantástico técnico, o homem que impulsionou o Vitória para chegar aos lugares de destaque que ainda hoje ocupa, sendo, talvez, o treinador mais importante dos 103 anos de história vitoriana. Tem sim, a ver com um homem que, apesar da história não o ter praticamente trazido até nos, era respeitado por toda a equipa. Falamos de Jaime Preto que, como a publicação consultada lança, "havia as vedetas de campo e as vedetas de bancada", sendo que "estas eram por vezes a tábuas de salvação dos treinadores."
Era o caso de Jaime Preto, que como Bravo recordou "ia muitas vezes connosco na camioneta." Num tempo em que o profissionalismo científico dos dias de hoje era uma miragem longínqua, um dia o treinador reparou que só tinha dez jogadores para entrar em campo. Um problema, numa altura em que não estavam previstas substituições, mas que seria rapidamente resolvido por um jogador da equipa, ao gritar que "Não faz mal, joga o Jaime Preto."
Este não se atemorizaria e num tempo em que não era necessário o jogador estar inscrito para calçar as chuteiras e entrar em campo, diria para o treinador: "eu jogo em qualquer lugar, não se preocupe comigo, deixe-me entrar que eu resolvo."
Assim seria, com o jogador improvisado a desempenhar razoavelmente o seu papel, ainda que "nós só tínhamos que nos preocupar em mandá-lo para a direita, pois no lado esquerdo ele não dava uma."
Fruto desta situação, tornar-se um suplente de luxo e efectivo... ou como "os jornais diziam o Vitória tem um suplente enciclopédia". Uma deliciosa alcunha para quem desempenhava um papel tão importante para que a equipa nunca jogasse depauperada de elementos.
E, agora, terá o Vitória um "suplente enciclopédia"? O que acham?
