Uma imagem para ficar na história.
Nas lágrimas de Whelton, depois daquele golo ao Marítimo que garantiu o triunfo vitoriano na temporada 2018/19, estava muito mais do que a celebração de um momento decisivo. Estava a confirmação de que, por baixo do fato de jogador de futebol, há sempre uma camada de humanidade que raramente se vê.
Naquele instante vieram ao de cima as expectativas que tinham falhado, os jogos perdidos por lesão, as entradas em campo para escassos minutos, também elas carregadas de frustração. O golo não era apenas um golo. Era um desabafo.
Whelton chegou em Janeiro de 2017/18 como aposta forte de Júlio Mendes. Depois de falhada a contratação no verão, tornou-se quase uma questão de honra, até para reforçar o seu crédito junto dos associados nas eleições que se aproximavam. Anunciou-se uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros. Sabia-se, pelo facto de Júlio Mendes ter anunciado,. que no Verão a proposta apresentada e que não tinha sido conducente a um acordo “valia, do ponto de vista económico, mais de cinco milhões”. Simbolizou, por isso, um Vitória financeiramente reabilitado. Falou-se dos golos em Paços de Ferreira.
Sobre os ombros do avançado brasileiro caiu um peso que dificilmente poderia ignorar. Nunca se afirmou verdadeiramente nos Conquistadores. Raramente foi influente. E passou grande parte do primeiro ano entre lesões e tentativas falhadas de afirmação.
Na segunda temporada, já com maior estabilidade classificativa da equipa, também não conseguiu ganhar espaço. Foi titular apenas três vezes. Marcou um único golo. A 4 de Março de 2019, perante o Marítimo. E chorou.
Não era apenas a alegria do momento. Era a libertação de quem sentia que nunca tinha conseguido corresponder ao que dele esperavam.
Acabaria por ser o seu único golo pela equipa principal ao serviço do Rei. No ano seguinte regressaria a Paços de Ferreira. Em 2020/21 ainda representaria a equipa B vitoriana: oito jogos, três golos. Depois, a história seguiu o seu rumo...longe de Guimarães!
Mas aquela imagem ficou.
Porque em Whelton não estão só as suas lágrimas. Estão as de tantos jogadores em quem depositámos esperança, talento que acreditámos pronto a explodir, promessas que pareciam certas, e que só longe do D. Afonso Henriques, com outra camisola, conseguiram mostrar o que valiam.
Há camisolas que não se vestem.
Carregam-se...e a do Vitória requer muito estofo e força para a suportar!
Não é para todos!
