Quando o Vitória remodelou o seu plantel no início da presente época, perderam-se quase todas as referências. Bastará dizer que perdeu o capitão da época passada (Bruno Varela) e já com outros nomes nomeados perdeu Handel, o sucessor de Bruno, o vice-capitão, Toni Borevkovic, e Tiago Silva, um dos líderes da equipa sem braçadeira.
Com uma razia tão grande de referências e numa equipa onde a juventude era o maior denominador, os mais velhos tinham de dar o passo em frente. Assim sucedeu com Nélson Oliveira, com o contratado Abascal, que vê-se ter assumido facilmente uma posição relevante no balnerário, e Samu o sucessor de Handel como o dono da braçadeira.
Uma volta decorrida, podemos dizer que foi uma escolha acertada! Samu tem sido um verdadeiro líder na presente temporada, arrastando os demais companheiros pelo exemplo e sabendo representar em campo todos os adeptos vitorianos.
Abnegado, aceitou regressar o mais rapidamente possível aos relvados para ajudar a equipa, depois da grave lesão que sofreu no final da pretérita.
Com espírito de grupo, não faz má cara se não é escolha para o onze titular, entrando em campo sempre disposto a dar tudo de si, a ajudar os seus companheiros para o êxito.
Corajoso, não tem medo de assumir as responsabilidades, como ontem sucedeu, pegando na bola para apontar a grande penalidade que deu o triunfo ao Vitória.
Porém, já que falamos de grandes penalidades, haverá uma atitude que definirá o caracter de Samu. Capaz de demonstrar a sua têmpera. Jogava-se a final da Taça da Liga e houvera sido apontada a grande penalidade que poderia mudar a história do jogo. Um dos habituais marcadores da equipa, o francês Camara, pegou na bola para cobrar o castigo... ele que falhara um decisivo na Taça de Portugal frente ao AVS SAD, Samu puxou dos galões de capitão e das bancadas percebeu-se bem o conteúdo dos seus gestos: "Sou eu que marco." Não pela glória pessoal, não para figurar como herói, mas simplesmente por saber que um capitão tem de dar um passo em frente na hora da verdade, tem de assumir as responsabilidade e se, algo corresse mal (felizmente, não correu!) dar a cara, protegendo um miúdo com toda uma carreira pela frente,
Com gestos destes, homens como Peres, Manuel Pinto, Abreu, Tito e outros grandes capitães vitorianos poderão estar descansados...a braçadeira que, um dia foi deles, está bem entregue!
