COMO NAQUELE DERBY DE SEMPRE, UMA ARBITRAGEM NEFASTA AJUDOU A PREOCUPAR (AINDA MAIS) O VITÓRIA QUANTO AO SEU FUTURO...

Como já escrevemos, a temporada de 1954/55 foi terrível para o Vitória e haveria de culminar com a despromoção.

Para tal infeliz desenlace, contribuíram diversos factores nos quais se poderão incluir as arbitragens, como aquela protagonizada por Joaquim Campos, tido como um dos melhores juizes nacionais, mas que, naquele dia 27 de Fevereiro de 1955 lesou seriamente os interesses vitorianos no derby eterno, frente ao SC Braga.

Na verdade, o golo de Silveira haveria de não ser suficiente para o Vitória vencer, levando a um empate que, segundo o Notícias de Guimarães de 06 de Março desse ano, muito se deveu à "... acção do juiz da partida, que numa actuação totalmente infeliz desvirtuou o resultado final, fazendo-nos perder um ponto que pode vir ainda a causar incalculáveis prejuízos." Por isso, reiterava-se que "o Sr. Joaquim Campos teve o azar de errar em prejuízo sempre do mesmo..."

Para que tal tivesse ocorrido assim, a publicação consultada tinha uma curiosa tese. Assim, se durante muito tempo, o juiz destacava-se pela sua boa condição física, apesar de tecnicamente deixar muito a desejar, havia outra curiosa explicação para o sucedido. Com efeito, "por uma atitude de honestidade que tomou, passou a figurar como figura principal, intangível, incapaz de errar como os outros..." Ora, essa atitude acontecera precisamente num desafio disputado pelo rival vitoriano, "... o que lhe mereceu, ainda recentemente, ser prendado em pleno Estádio 28 de Maio."

Todavia, existia uma figura nos regulamentos que podia impedir que tal suspeição galopasse e se tornasse plausível. Falamos de uma norma que previa a substituição de um árbitro quando se lhe conhecessem factos que pudessem influir na sua independência, nunca deveria ter-se mantido a indicação do mesmo para dirigir o desenrolar da partida. "E como tal substituição não se deu, estão os vimaranenses agora acusados de uma falta que, se a cometeram, foi porque um juiz dirigiu uma contenda de modo arbitrário, sempre em prejuízo da causa que era de Guimarães."

Contudo, se a tradicional paixão vitoriana poderia toldar a opinião dos comentadores, a verdade é que todos os jornais nacionais condenavam a actuação de Joaquim Campos, tal como sucedeu na Bola sob a pena de Álvaro Braga: "A arbitragem de Joaquim Campos, não foi muito correcta, pois parece não ter assinalado duas grandes penalidades contra o Sporting de Braga. Numa partida de tanto interesse para qualquer dos contendores, a arbitragem não esteve à altura do encontro."

Atento a esses factos, a indignação dos adeptos chegaria ao cume, pelo que foi o Vitória multado por estes comportamentos, ainda que "concluímos assim que a justiça da Federação foi aplicada, segundo um relatório, de quem mereceu esta unanimidade crítica. Fica o Vitória e fica Guimarães com o ferrete dum crime que não cometeu..." Além disso, se algo existiu tratou-se de uma "reacção natural de quem se sente prejudicado, não foi comportamento incorrecto como se diz no comunicado oficial, mas sim somente um acto de coragem, e quem grita quando lhe tiram qualquer coisa." E, profeticamente, concluía-se que "e o ponto, que tiraram ao Vitória, pode-lhe causar prejuízos sem conta...", e que haveriam de passar por uma inédita despromoção.

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