I - Não era tido como um jogo fácil o derby concelhio frente ao Moreirense. Não era fácil por causa do Vitória ter de encarar o desafio como determinante para o seu futuro na tabela classificativa, por estar a cinco pontos do Moreirense. Mas, também pelo facto do Vitória desde o triunfo na Allianz Cup, não ter voltado a encontrar o caminho dos êxitos. E, até pelas difíceis condições atmosféricas que pontuaram todos os minutos da partida e que, em muito, complicaram a vida dos protagonistas.
II - Mas se todos estes itens eram obstáculos a um bom jogo, e a verdade terá de ser dita, Luís Pinto, também, terá tomado opções iniciais que em nada os ajudaram a ultrapassar. Com efeito, o 4*4*2 que era mais um 4*2*4 com Gustavo Silva e Nélson Oliveira na frente de ataque, com Camara e Saviolo nas alas partiu a equipa. Partiu, porque, no meio campo, em inferioridade numérica estavam Diogo Sousa (na ausência de Gonçalo Nogueira) e que mostrava dificuldades em pegar no jogo e o quase omnipresente Beni, mas os dois com dificuldades em ligar o jogo com os homens da frente. No fundo, tornaram-se uma ilha, sem ligações a terra, leia-se ao meio campo e, assim, a qualidade de jogo ressentiu-se.
III - E, assim, seria durante toda a primeira parte, com o Vitória, a determinados momentos, a ser exasperante. Incapaz de empurrar o adversário para o seu último reduto, sem possibilidades de criar movimentos de ruptura, mas com os extremos desinspirados, sem conseguirem criar desequilíbrios, a primeira parte vitoriana comprovou que o esquema de três médios será o mais eficiente para as aspirações da equipa treinada por Luís Pinto.
IV - Perceberam isso os quase 11000 adeptos que se deslocaram ao D.Afonso Henriques, mas também Luís Pinto que, ao intervalo, procurou emendar a mão, colocando Samu em jogo e retirando Camara. Gustavo deixou de ser avançado, passando para a extrema direita e o Vitória passaria a ter um meio campo a três, o que lhe permitiu conseguir tricotar o jogo com outro critério, unindo as pontas do meio campo ao ataque e deixando de apresentar áreas vazias no relvado.
V - Porém, se o Vitória estava melhor, também, é verdade que as oportunidades rareavam. A equipa queria mas não conseguia. Aproximava-se da área cónega mas não era capaz de ferir. Nélson Oliveira, apesar do esforço, não conseguia ser o elemento desestabilizador necessário para alvejar a baliza adversária. Até que...
VI - Até que entrou o principal agitador dos últimos tempos. Há jogadores assim... que quando titulares a sua influência é menor do que, quando lançados do banco, criam uma absoluta turbulência nos últimos redutos contrários e que fazem as bancadas entrarem ebulição. Falamos de N'Doye, o fenómeno vitoriano, cuja entrada em campo é uma centelha de esperança que se acende em todos os espíritos vitorianos.
VII - E, seria graças a esse sentimento que o jogo teria o seu apogeu, o seu auge. O senegalês numa arrancada, no seu jeito peculiar, levaria a bola para a área, para ser rasteirado. O juiz António Nobre, autor de arbitragem que, até ao momento, pouco pu nada tinha satisfeito os vitorianos, apontou para a marca da grande penalidade e Samu não desperdiçaria o ensejo de facturar. Os heróis da final de Leiria voltavam a lavrar uma sociedade infalível e de êxito...
VIII - A partir daí, o Vitória controlaria a partida. Poderia ter chegado ao segundo golo numa incursão de Abascal ao ataque, mas o mais importante era gerir o resultado, o que seria feito com tranquilidade... mesmo depois do apagão que deixou o D. Afonso Henriques às escuras, interrompendo o jogo durante cerca de cinco minutos. O Vitória vencia e aproximava-se do seu adversário desta noite!
IX - Segue-se o sempre difícil desafio em Arouca, em que se espera que os Conquistadores demonstrem competência e responsabilidade, para continuarem a perseguir o objectivo europeu. Pela frente, estará um adversário reforçado e que cria sempre dificuldades ao Vitória.
X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...
