COMO BRAGA, APROVEITANDO-SE DA AMIZADE ENTRE VITÓRIA E MONTIJO, LEVANTOU UMA DIFAMAÇÃO ABSOLUTAMENTE OFENSIVA AOS CONQUISTADORES, ESQUECENDO-SE, CONTUDO, DE OUTROS FACTOS...

Aquela temporada de 1956/57 ficou marcada pela segunda tentativa frustrada do Vitória regressar à Primeira Divisão, depois dela ter saído no final da   na segunda volta dessa fase promoção, até que a bomba estourou... levantando inadmissíveis suspeições sobre os dois clubes que se iriam encontrar e cujo respeito era publicamente conhecido e jamais negado.

Assim, como escrevia o jornal Notícias de Guimarães de 05 de Maio de 1957, "Baseado numa carta anónima (anónima, leitores!) escrita (sic) por um indivíduo que se diz bracarense e residente em Guimarães há 15 anos, o Sporting de Braga levantou uma insidiosa dúvida sobre a honestidade do futuro resultado do encontro Desportivo do Montijo - Vitória para a fase final do Campeonato Nacional da II Divisão, jogado no passado Domingo."

Um facto surreal, sem fundamentação e calunioso que "a Direcção do Vitória tinha abafado (...) para os seus adeptos, para o denunciar somente depois do jogo, dentro do lógico raciocínio de quem não deve também não teme."

O jogo, esse, seria disputado, com o Vitória a não encontrar as facilidades temidas na cidade vizinha, ainda que vencesse por três bolas a duas graças a um bis de Ernesto e mais um golo de Bártolo. "Mas daí em diante, depois dum erro da defesa, consentiram os 3-1 e depois os 3-2, defendendo este resultado final contra o ímpeto enérgico do seu adversário e contra o vento forte que incidia sobre a sua baliza."

Por isso, advertia-se que "Não, senhores do Sporting Clube de Braga, nem os desportistas de Guimarães, nem também os do Montijo, são capazes de atitudes de tal natureza! Andamos no campo desportivo de boa fé, engrandecendo as nossas terras e nunca sujando a sua dignidade com manejos que a nossa honestidade repudia"

Assim, reforçava-se o desejo de regressar à Primeira Divisão, mas de modo honesto, ao contrário do que fizera o eterno rival dez anos antes, quando o emblema rival chegou à Primeira Divisão. Com efeito, "o Sporting Clube de Braga, por intermédio do seu presidente, de então, tentou subornar jogadores do Onze Unidos, do Montijo, para facilitarem a conquista dum lugar que, em campo de luta normal, já se aparentava improvável e assim ingressar na Divisão Maior."

Deste modo, tentaram corromper o guarda-redes contrário, de nome Braço Forte (curioso nome para guardião), propondo-lhe 9 ou 10 contos e "ele deixava entrar uma ou duas bolitas, fingia depois que se havia aleijado e sairia do campo!" Mas, "se para tal fosse necessário a colaboração de mais três elementos - Vital, Caninhas e Custódio -, receberiam cada um dos quatro, três ou quatro contos." Contudo, este denunciaria o sucedido, sendo, por isso, o presidente do clube vizinho irradiado e outros dirigentes castigados, ainda que "foi desta maneira que o Sporting Clube de Braga trabalhou na época que ingressou na I Divisão Nacional."

O Vitória, esse, iria continuar o seu caminho... ainda que não houvesse nesse ano que regressaria ao seu habitat natural, mas isso será outra história.

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