O sorteio da Taça de Portugal da temporada de 1962/62 trouxe um aliciante para o Vitória nos quartos de final.
Tal passava por uma visita à Pérola do Atlântico para defrontar a União da Madeira, depois do conjunto orientado pelo argentino José Valle ter eliminado o Sporting da Covilhã e a Académica.
E, por isso, lá se fez a comitiva vitoriana ao caminho, de um modo sui-generis: a bordo do paquete Funchal, sendo o desembarque revelado numa das fotografias apresentadas e confirmado pelo jornal Notícias de Guimarães de 09 de Junho de 1963. Segundo o narrado, tratou-se de "uma viagem admirável, com mar calmo, boas instalações, boa alimentação e absoluto conforto."
Chegada à ilha, "começou o assédio habitual dos curiosos, dos desportistas e da imprensa, patenteando claramente o cartaz que aí usufrui a Colectividade vimaranense", com os nomes de Silveira, Lua e Peres a serem os mais aclamados. Assim, o entusiasmo pela visita do Vitória era tanto que "somente duas horas após a saída do navio, consegue encaminhar-se para o magnífico hotel onde iria ficar instalada a embaixada vimaranense."
Contudo, mesmo aí, as operações de charme não findaram com os directores vitorianos a terem de manter encontros formais com diversas entidades da região que quiseram endereçar os cumprimentos oficiais dos organismos a que presidiam aos Conquistadores, devendo estes retribuir com visitas a alguns dos locais mais emblemáticos da ilha.
Seguir-se-ia a partida, com o Vitória a suspirar de alívio pela eliminatória ser disputada a duas mãos... Com efeito, a equipa composta por Roldão; Caiçara, Freitas; Manuel Pinto, Silveira, Daniel; Paulino, Mendes, Peres, Lua, Armando, "...confiante na sua classe e no saber, foi surpreendida por uma equipa ébria de entusiasmo, que queria, a todo o transe, ofertar à sua terra e ao seu clube, a glória de um triunfo sobre um grande do futebol português, fosse como fosse, custasse o que custasse." Haveria de o conseguir, ao apontar dois golos, servindo o tento de Lua para atenuar a derrota, deixando a decisão da eliminatória para resolver em Guimarães... o que sucederia com uma goleada por cinco golos sem resposta, que repôs as verdadeiras diferenças entre os dois conjuntos.
E, assim sucederia, com o Vitória a continuar um percurso que só seria travado na final da prova perante o Sporting, mas na Pérola do Atlântico, ficou na memória, como escreveu o Jornal da Madeira, "o jogo do ano"...


