COMO, SEM SE SABER, UMA ASSINATURA VALEU O CAMINHO DE QUASE UMA DÉCADA...

Aquela temporada de 1970/71 fora agónica... Apesar do clube ter apostado em grande com o regresso do "desejado" Jorge Vieira, a verdade é que a temporada fora uma profunda desilusão. Com efeito, o técnico brasileiro não haveria de conseguir findar a época, sendo substituído pelo veterano Peres que, como jogador-treinador, foi capaz de operar o milagre da manutenção.

Por isso, urgia dar passos rumo a recuperar a estabilidade perdida. Desde logo, escolhendo um novo treinador, capaz de estabilizar a equipa, projectando-a, novamente, para patamares onde já andara e que enchera de orgulho todos os seus adeptos.

A escolha haveria de recair em Mário Wilson, um moçambicano que começara a sua aventura em Portugal na época de 1949/50 no Sporting como jogador, proveniente do Desportivo de Maputo e que no nosso país, posteriormente, se estabelecera como treinador. Começaria essa aventura no clube em que mais tempo tinha servido como jogador, a Académica de Coimbra, para depois viver duas temporadas no Belenenses e outra no Tirsense, antes de ser apresentado como um dos grandes trunfos para a retoma vitoriana.

Estávamos no início da época de 1971/72 e o jornal de Junho de 1971 do clube anunciava a assinatura do seu vínculo contratual na presença do presidente Antero Henriques da Silva Junior e dos directores Manuel Rodrigues Guimarães e Damião Silva.

Apesar do momento ser de esperança e de alegria, a verdade é que como o órgão informativo do clube reconhecia, também, era difícil, atento o que sucedera no ano anterior. Ainda assim, "ciente do que vale e conhecedor das potencialidades do Vitória e da sua terra, não hesitou em servir o Clube", ainda que soubesse das dificuldades que a missão que o esperava encerrava.

A justificar a sua contratação, a publicação consultada definia-o como "habituado a lidar com jovens e a encaminhá-los para uma valorização rápida e efectiva", "destemido", "pondo acima de tudo os interesses do futebol e só depois disso olhando para si próprio", "servindo acima de tudo os interesses das colectividades que serve", parece, assim, ter "todos os predicados capazes de conseguir uma nova, boa e duradoura equipa de futebol para o Vitória..."

Assim seria, ainda que, com ele, o objetivo europeu não voltasse a ser alcançado e, apesar de ser o treinador do clube que mais vezes orientou a equipa, haveria de sair sem honra nem glória...mas isso será outra história!

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