Marinho Peres tivera regresso sebastiânico a Guimarães naquela temporada de 1992/93. Com efeito, cinco anos após o seu extraordinário trabalho, a aposta, novamente, no seu trabalho parecia destinada a mais um ano de glória e tão inesquecível como sucedera em 1986/87.
Contudo, já diz o ditado "nunca voltes onde foste feliz", e no Vitória essa máxima confirmou-se na sua máxima plenitude. Na verdade, apesar dos Conquistadores terem começado a temporada a vencerem o Beira-Mar por duas bolas a uma e a afastarem a Real Sociedad na primeira eliminatória da Taça UEFA, rapidamente deram a entender que o ano seria de sofrimento, de tropeções... como comprovaram as derrotas por três a zero em casa do Marítimo ou do Belenenses ou até o desaire caseiro perante o Belenenses.
Assim, entrou-se em 1993 com o Vitória cada vez mais pressionado, ainda que aquele jogo frente ao Gil Vicente, disputado a 03 de Janeiro desse ano que entrava, parecesse conter em si o lenitivo ideal para a recuperação. Puro engano e ao intervalo a equipa já perdia por uma bola a zero atento o golo de Cacioli.
E, segundo escreveu o jornal Toural de 08 de Janeiro seria nesse momento de retemperar forças que sucederiam os factos que levariam ao desenlace rrecorrível do adeus do carismático treinador.
Com efeito, como o periódico consultado escreveu na sua primeira página, concretizando a manchete "Marinho foi-se", "Retornado ao clube onde granjeou fama (e proveito), voltou com rótulo de salvador da equipa e foi crucificado numa espécie de operação relâmpago que o levou a auto-demissão, passando a bolinha por entre as pernas do Presidente que terá metido a foice na seara alheia..." Complicado? Nem por isso!" Citando o que se escreveu, Pimenta "foi ao balneário no intervalo do jogo Vitória-Gil Vicente fazer um dos seus responsos..."
Ora, com a segunda parte por disputar, o treinador engoliu em seco e seguiu para o banco de suplentes, onde seria impotente para travar, não obstante o golo de Lima, uma derrota por duas bolas a uma. Depois, viria o adeus, que, para o Toural, "a causa próxima da atitude de Marinho Peres para se despedir ingloriamente do Vitória é a ingerência do presidente do clube que no intervalo do jogo com o Gil Vicente esteve nos balneários a fazer uma palestra para os jogadores, tendo como móbil o treinador." Deste modo, tendo percebido que lhe fugiam as rédeas da equipa, que o líder máximo do clube perdera a confiança nele, só lhe restava um caminho: a demissão.
Demissão essa que justificaria dizendo que "Hipocrisia não é comigo", ainda que reitessae que "Não sou homem de chingar contra ninguém". Era o adeus definitivo de um homem que para sempre ficará na história do clube graças ao ano de 1986/87... mas isso era um capítulo que, já naquela altura, estava definitivamente fechado!

