COMO, MESMO COM UM SEMPRE SABOROSO TRIUNFO NO DERBY, LEVOU A UMA CONSIDERAÇÃO CURIOSA SOBRE O COMPORTAMENTO DO PÚBLICO...

O Vitória, naquele ano de 1939/40, houvera sido campeão distrital. Era mais um sinal do domínio do emblema vimaranense na região; um domínio esse, que começara a ser construído em 1934.

Seguia-se o campeonato do Minho e naquele mês de Março de 1940, a recepção ao eterno rival minhoto, o SC Braga. Como bem sabemos, será sempre um desafio apaixonante, aliás como o Notícias de Guimarães do dia 17 desse mês e ano reconhecia, ao dizer que "as pugnas futebolísticas entre o Vitória e o Sporting de Braga. revestiram-se sempre do maior interesse, tendo, por isso, a presenciá-las elevado número de pessoas."

Naquele Domingo seria igual, com "O Vitória, inegavelmente, mais team que o adversário, quer a construir quer a defender-se, fez uma exibição digna dos seus méritos", ainda que na segunda metade da contenda, "caiu a olhos vistos." E tal devia-se a um pormenor relatado de forma curiosa, mas comum de ser analisado na época: "alguns dos seus homens do ataque chegaram a dar-nos impressão de que se tinham esquecido que disputavam uma prova oficial, tal a falta de convicção e de vontade que revelaram." Deste modo, "quasi todas as bolas atiradas para as redes do adversário - e muitas elas foram - acusaram falta de decisão e oportunidade, o que deu ensejo a que o guardião do Sporting as defendesse sem grande custo."

Assim, com dois golos apontados na primeira metade, e com a segunda metade a ficar marcada pela dureza colocada pelo adversário na pugna, em especial, mereceu, também, destaque (pela negativa) o carácter aventureiro do defesa vitoriano João, ao ponto de se escrever que "sem pretendermos passar por técnico, afigura-se-nos que os defesa do Vitória, sobretudo João, se adiantam, por vezes, demasiado no terreno, o que já tem custado vários sustos à equipe, motivados por fugas isoladas de alguns adversários. Achamos, pois, prudente, e por isso aconselhamos, que a ideia dos raids seja posta de parte, limitando-se, o que já não é pouco, os referidos elementos à guarda e vigilância da zona que lhes está confiada. Os homens da frente que se mexam."

Ora, se a postura audaciosa do último reduto era alvo de censura, também o comportamento do público era analisado pela mesma bitola, criticando-se o facto de "os entusiastas do Vitória não o sabem amparar quando ele disso necessita." A justificar essa tese, era apresentada a seguinte dicotomia: "se os rapazes têm felicidade nas jogadas, gritam de contentamento, tecem-lhes rasgados elogios, são constantes e entusiásticos os incitamentos." Contudo, se "... a adversidade os persegue, não abrem a boca para um estímulo e antes o fazem para os vexar e os diminuir. Errada noção e péssimo defeito." Por isso, concluía-se "ajudá-los quando eles não precisam é o mesmo que dar esmola a um rico", pois, "fora do rectângulo também se joga..."

Apesar dos reparos, o Vitória estava bem encaminhado para a conquista de mais um título de campeão do Minho... e isso, afinal, era o mais importante da história!

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