Zeega e Verdi serão os primeiros jogadores da história do Vitória a disputarem uma final de um Campeonato Mundial. Será uma honra que nunca ninguém poderá tirar aos dois jovens Conquistadores e que cujo feito daqui a muitos anos continuará a ser recordado.
Mas, há muitos anos, houve um talentoso número dez vitoriano que viveu um sonho quase com epílogo igual...
Estávamos em Junho de 1989 e a, então, selecção de sub-16 portuguesa rumava à Escócia para disputar o campeonato mundial da categoria. Nela, entre nomes como Figo, Abel Xavier ou o actual seleccionador sub-17, Bino, estava integrado um vitoriano, natural de Felgueiras, de nome Grani, que, por esses dias, cumpria a sua terceira temporada de Rei ao peito, tantos quanto tinha de futebol. Mas, o seu talento a todos fascinaria, ao ponto de se estrear de Quinas ao peito em Outubro de 1988, em Zamora, numa derrota por uma bola a zero.
Já campeão europeu, fruto de também ter sido convocado para a prova do velho continente que Portugal vencera um mês antes na Dinamarca e onde mereceu destaque a sua participação nas meias finais da competição, rumou a terras escocesas pronto a conseguir o maior dos feitos: ser campeão do mundo, levando o nome do Vitória ao mais alto galarim do futebol.
Porém, quer as Quinas quer Geani, mais propriamente dito, não teriam vida a fácil. A selecção, na altura treinada por Carlos Queiroz, conseguiu o apuramento para a fase a eliminar, graças a um golo de Sérgio Lourenço no último minuto do último desafio da fase de grupos perante a Guiné Conacri a garantir o apuramento para os oito melhores, quando a equipa portuguesa já estava reduzida a nove unidades e com as malas prontas para regressar a casa... isto, sem o jovem Conquistador ter sido utilizado em qualquer um dos desafios da fase de grupos da competição.
Também não o seria nos quartos de final da competição, em que os tentos de Figo e de Tulipa ajudaram a triunfar sobre a Argentina por duas bolas a uma, abrindo o caminho para as meias-finais frente à equipa da casa, a Escócia. Aí, no Tynecastle Stadium, em Edimburgo, Geani estrear-se-ia na prova. Estavam decorridos 51 minutos da partida e o vitoriano substituía Álvaro Gregório...para assistir da parte de dentro do campo ao tento escocês obtido três minutos depois e a um golo anulado de forma escandalosa a Bino, no último minuto, que levaria o jogo para prolongamento. Mas, naqueles anos, as equipas da casa gozavam de um absurdo proteccionismo e, fruto disso, jogar-se-ia uma quase impossível final de um mundial entre a Escócia e a Arábia Saudita.
Se a final era de todo improvável, o que dizer do rival português do jogo de consolação? Era o Bahrein! Portugal venceria por três bolas a zero, com dois golos de Tulipa e outro de Gil. Geani voltaria a entrar em campo, ao mesmo minuto do desafio das meias finais, para substituir o mesmo colega de equipa. Naquele momento entrava na história do Vitória, como o homem capaz de trazer a medalha de bronze de uma prova à escala global de futebol. Zeega e Verdi já fizeram melhor ao chegarem à final... mas que tal, trazerem o caneco e chegarem à Cidade-Berço como campeões do mundo?
