UM CRAQUE QUE NUNCA O FOI...

Era a grande esperança vitoriana para os golos naquela temporada de 1976/77.

Um avançado que todos os vitorianos esperavam que se tornasse ídolo da torcida, à imagem e semelhança de Jeremias que, duas temporadas antes, para além dos golos, permitiu um extraordinário encaixe financeiro ao clube com a sua venda ao Espanyol de Barcelona.

Assim, com pompa e circunstância, o jornal do Vitória de Setembro de 1976, anunciava que "com vista a reforçar o sector atacante da equipa, o Vitória acaba de contratar DINHO - Raimundo Figueiredo dos Santos, de seu nome, que alinhava na equipa da Portuguesa do Rio.”

Chegava "credenciado das melhores referências", sendo que "a sua contratação só foi possível pelo esforço despendido pela Direcção do Clube", mas, também, pela colaboração do emblema onde actuava no Brasil, "que embora tivesse interesse em manter Dinho ao seu serviço, acedeu em permitir a transferência", atendendo aos desejos do jogador em viver uma aventura no futebol europeu,

Por isso, "o valor de Dinho permite-nos acalentar fundadas esperanças de uma rápida adaptação ao futebol português, de modo a servir as aspirações do Vitória...", o que não haveria de suceder. Assim, depois de se estrear numa derrota frente à Académica a 03 de Outubro de 1976, só viveria uma tarde feliz quando bisou numa goleada por sete bolas a zero frente ao Eléctrico. Aliás, esses seriam os únicos golos que apontaria nesse ano de Rei ao peito, sendo que, na época seguinte, fruto de lesões só seria utilizado por uma vez, na última jornada do campeonato, num empate a dois com o Boavista.

A seguinte seria a mais profícua de Rei ao peito, ao apontar cinco golos, com destaque para o bis frente ao Boavista, mas, ainda assim, pouco para o que se esperava dele, reduzindo a sua voracidade goleadora na de 1978/79, a última que actuou no Vitória, onde só seria capaz de facturar por três vezes... ainda que bisando contra o eterno rival, num saboroso triunfo por três bolas a zero.

O ano de 1980/81 trouxe consigo ventos de mudança no Vitória. Com um novo presidente, com a contratação da estrela holandesa, Ton Blanker, o brasileiro ficou definitivamente sem espaço nos Conquistadores. Partiria para o Académico de Viseu, havendo de acabar a sua carreira em 1984/85 no GDC Minas da Borralha....pouco para quem tanto de se esperava, ainda que tivesse vestido a camisola do Rei por 44 vezes e apontado 10 golos!

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