O QUE EU ANDEI PARA CHEGAR AQUI - X FILIPE SOUSA

Nem sempre o caminho para o sucesso é o mais óbvio.

Por vezes, aquela ilusão que perseguimos poderá esfumar-se, para dar lugar a um percurso igualmente belo, sedutor e pleno de sucesso.

Filipe Sousa é vitoriano desde pequenino. Como tantos outros meninos atravessou cedo os portões da Academia, para percorrer todos os percursos de formação, até ser desenganado quanto ao seu futuro futebolístico. Com efeito, corria a temporada de 2010/11 e seria emprestado ao Amarante, a que se seguiram Lousada e Ribeirão. Este percurso terá feito despertar nele um click acerca do seu futuro. O futebol era a sua paixão, mas, para chegar longe, poderia ser de outra maneira...

Assim, enquanto ia olhando para a sua carreira de futebolista como um delicioso prazer, mas que, mesmo assim, o iria levar à Liga 2 ao serviço do Aves, apostava na sua carreira académica e numa licenciatura em nutricionista. Como o próprio haveria de contar ao Mais Futebol de 18 de Outubro de 2019, "A minha carreira de jogador cruzou-se com a nutrição há cerca de quatro anos, quando estava a acabar o curso de nutrição. A minha ideia sempre foi tentar continuar a trabalhar no futebol. Felizmente comecei no Aves, onde ainda estou atualmente. Entrei no ano de subida de divisão, ainda era estagiário da nutrição, fui eu que sugeri e eles aceitaram-me porque também me conheciam de ter sido jogador lá. Criei uma boa relação com as pessoas e acabei por ter essa benesse. Como o clube não tinha ninguém a dar esse apoio e felizmente nesse ano em que estou lá em estágio o Aves sobe à primeira, é um ano em que reforça a sua estrutura e o seu departamento médico e acabam por ficar comigo quase a tempo inteiro..."

Era a porta que se abria e que o faria olhar para o futebol em duas vertentes, tanto que quando os avenses subiram à liga principal teve de optar. Como o próprio disse, "É aí que surge uma imposição: para continuar a jogar futebol teria de ser num clube que jogasse ao final do dia, para poder conciliar as duas vertentes."

Assim, enquanto tratava da alimentação dos jogadores do Aves, onde venceu uma histórica Taça de Portugal, actuava em clubes como o Freamunde, AD Oliveirense, Mondinense e Pevidém onde chegou em 2018/19 e onde jogaria até ao final da época de 2022/23, quando pendurou as botas com 32 anos.

Porém, aí, já se tinha deparado com a oportunidade de uma vida, quando, apesar de jogar em Portugal, o Shakhtar Donetsk requisitou os seus serviços de nutricionista. O passo em frente na carreira foi explicado pelo próprio como "Eles procuravam um apoio nesta área da nutrição, sabiam que em Portugal esse trabalho é muito bem desenvolvido, sendo que a equipa técnica portuguesa também facilitou os contactos, e foi estabelecida uma parceria para eu colaborar com eles. Felizmente continua uma equipa técnica portuguesa, na época passada o trabalho foi bem feito e este ano demos continuidade." Assim, durante algum tempo, Pevidém foi uma realidade bem conhecido no Dombass, graças a um vitoriano que ajudava a equipa técnica de Paulo Fonseca.

Contudo, o projecto findaria e Filipe concentrar-se-ia em prosseguir a carreira em clubes portugueses como o Vizela e o Famalicão, até chegar à transacta ao clube que sempre lhe povoou os sonhos: o Vitória, ainda que de modo diferente do que sonhara em menino.

Contudo, a experiência duraria, apenas, uma temporada. Na verdade, em Julho do presente ano, era anunciado que iria integrar os quadros do Manchester United, na equipa técnica liderada por Rúben Amorim. Há sempre a hipótese de chegar ao topo, mesmo que o sonho de criança nos vire as costas...

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