Aquela temporada de 2000/01 fazia com que renovação e ambição rimassem no Vitória...
Na verdade, a aposta de Pimenta Machado em Paulo Autuori, dando-lhe poderes alargados e confiando na sua capacidade para a escolha dos jogadores do plantel levava a que todos os vitorianos acreditassem num ano em grande.
Seria, contudo, uma ilusão... o Vitória arrancou mal, ao perder, ainda que prejudicado, em casa do eterno rival minhoto, para nunca mais se recompor e chegar aquela 12ª jornada do campeonato, frente ao Benfica treinado por um jovem Mourinho, sobre brasas. Ainda para mais, depois de ter sido derrotado no Bessa por quatro bolas a uma, numa partida que levou a que o treinador considerasse que a equipa deveria ter vergonha daquilo que fizera em campo.
Assim, naquele Sábado à noite, dia 18 de Novembro de 2000, com os Conquistadores a apresentarem Tomic; Abel, Márcio Theodoro, Paulão, Fredrik; Paiva, Preto, Pedro Mendes; Hugo Cunha, Edwin Congo e Lima, assistiu-se a uma partida sui-generis. Com efeito, como escreveu o jornal do Vitória do dia 21 desse mês e ano, "se não é normal, o Vitória estar à 11ª jornada no 12º lugar a 10 pontos das posições que dão acesso às competições europeias, também ninguém pensaria que os encarnados, depois de sucessivas idas ao supermercado de jogadores e ali terem gasto (?) alguns milhões de contos (!), pudessem estar na sétima posição, igualmente a dez pontos, mas do primeiro lugar."
Os Conquistadores até começaram bem a partida a dominá-la, mas alardeando ineficácia, não haveriam de conseguir chegar ao golo, ao contrário do Benfica "que iam decorridos 40 minutos (...) é que o Benfica conseguiu fazer o primeiro e único remate à baliza em toda a primeira parte.", mas fazendo o golo inaugural da partida "que representava uma injustiça monstruosa, mas também castigava a ligeireza com que foi formada a barreira..." Além disso, a equipa vitoriana mostrava-se incapaz de aproveitar a intranquilidade adversária, que haveria de, paulatinamente, ir ganhando confiança com os golos apontados, numa noite feliz do avançado João Tomás, autor de um hat-trick.
Com uma pesada derrota por quatro golos sem resposta, sentenciava-se que "será necessário recuar muito no tempo para se encontrar uma época em que o Vitória tenha um início de temporada tão desastroso, mas se quisermos recordar um ano em que a sua defesa seja tão fácil de bater, principalmente em casa, se calhar, por mais exercícios de memória que tentemos, não o conseguiremos."
Assim, declarava-se que "O Vitória está doente, isso é indisfarçável, mas o pior de tudo é não se sabe quanto tempo vai ser necessário para encontrar a cura." Também, sem conseguir encontrar justificações para o que estava a suceder, Paulo Autuori, no final da partida, ver-se-ia na necessidade de assumir que "temos de pedir desculpas aos sócios mais uma vez."
Acrescentaria, quanto ao facto de poder ter o lugar em perigo, que "sinto é condições para viver. Eu preparo-me para viver a vida, estou sempre preparado para saber superar os momentos difíceis, até porque já passei por momentos mais sérios na vida do que maus resultados..." Apesar da mensagem de tranquilidade, passadas poucas horas era anunciado o abandono do treinador, que abandonava um projecto que era para três anos, passados pouco mais de três meses de ter chegado a Guimarães...
