COMO, COM UM VITÓRIA EM POLVOROSA, E EM DESILUSÃO, PIMENTA PROCURAVA IMPOR A DISCIPLINA PARA COLOCAR A EQUIPA NO CURSO CERTO...

Aquela temporada de 1992/93 fora projectada para o Vitória viver um ano inesquecível. Com o regresso sebastiânico de Marinho Peres e com contratações do nível de Tanta, Dimas ou Dane era de esperar que os Conquistadores andassem nos lugares cimeiros da tabela... o que, desde cedo, se percebeu que não iria suceder.

Com os principais rivais a fugirem na tabela, com Marinho incapaz de inverter a espiral negativa de resultados, a notícia do Jornal A Bola de 12 de Novembro de 1992 demonstrava, de modo claro, a turbulência em que o clube vivia.

Assim, segundo o periódico, "O Vitória de Guimarães vive sob o signo dos inquéritos." Com efeito, complementava o jornal, "nos últimos tempos têm surgidos vários casos e o dr. Pimenta Machado tem sido implacável na imposição da disciplina."

O primeiro a sofrer as rédeas da mão pesada da justiça vitoriana seria Taoufik que seria obrigado a treinar à parte. Com efeito, "devido a uma decisão de Marinho Peres, segundo nos informou o presidente do Vitória de Guimarães: Foi uma decisão do treinador, que me comunicou no dia 10 deste mês." Tal deveu-se, segundo o próprio presidente, pelo facto do técnico achar que o tunisino houvera tido uma atitude pouco profissional ao tentar "diminuir a capacidade de comando do treinador junto da equipa." Ainda assim, havia a promessa do treinador que "estamos a pensar em reintegrá-lo desde que volte a manifestar modos profissionais e não amadorísticos.

Mas, para além deste, também o seu compatriota Ziad teve de estar a contas com um procedimento disciplinar, que foram encetadas pelas suas declarações que "Voltei a jogar sem estar curado e isso acabou por agravar a lesão.", que segundo o clube colocavam em causa o departamento médico.

Depois do jogador ter esclarecido que nunca pretendeu colocar o departamento médico em causa, o que pareceu sanar os problemas... seria alvo de novo inquérito disciplinar "devido ao facto de se ter apresentado com dois dias de atraso.", conjuntamente com Taoufik, já que ambos tinham representado a selecção norte-africana.

Mas, para além do central e do avançado, também o preparador físico da equipa, o Professor Portela, fora alvo de um processo disciplinar. Na verdade, depois da equipa ter merecido um reparo do presidente pela sua menor condição física, aquele diria "só discutir de velocidade com quem percebe". Seria o suficiente para ficar sob a alçada disciplinar do clube, sendo que Pimenta justificaria essa acção pela frase ter desagradado por ser muita genérica e "até podia englobar um representante da entidade patronal." Na verdade, "A Direcção tem toda a legitimidade de se pronunciar sobre as questões do clube, naturalmente sem pôr em causa a dignidade de qualquer assalariado..."

Tudo, contudo, resolver-se-ia, depois do preparador físico prestar esclarecimentos e garantir a boa saúde física da equipa, algo reiterado por Marinho Peres que afirmou que "Fui eu que trouxe o Portela, que é um elemento altamente capacitado. Tem desenvolvido um trabalho muito positivo e vamos colher os frutos."

Assim, numa tarde, todos os procedimentos ficariam em "águas de bacalhau", com Pimenta a garantir que "tudo se resolve" e que "os jogadores são profissionais." Só não se haveria de arranjar solução para a crise de resultados que faria com que Marinho, passado um mês e meio, tivesse de abandonar o clube... mas, isso, já será outra história!

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