COMO PEDROTO LEVOU A MELHOR SOBRE PIMENTA, LEVANDO UM PRÉMIO QUE O PRESIDENTE NÃO QUERIA PAGAR...

José Maria Pedroto foi a grande aposta de Pimenta Machado para afirmar o Vitória nos lugares de topo aquando da sua entrada na presidência.

Com efeito, o mítico Zé do Boné, que se encontrava desavindo com os responsáveis directivos portistas, encontrou no Vitória o porto de abrigo ideal para prosseguir a sua actividade, esperando que Pinto da Costa ascendesse à sua cadeira de sonho. Por isso, aceitara treinar o Vitória, ainda que colocando as suas condições em cima da mesa. Entre estas, estava uma clara: o pagamento de um prémio de desempenho caso a equipa terminasse o campeonato no quarto posto da tabela classificativa, o que Pimenta aceitou.

Refira-se que no início da década de 80, o quarto lugar, salvo uma excepção, era sinónimo de apuramento europeu. No fundo, o pote de ouro perseguido por Pimenta Machado e que, por isso, não colocou qualquer entrave à aposição dessa cláusula no contrato do lendário técnico.

Ora, se na temporada de 1980/81, Pedroto não teve direito a esse montante, pelo facto dos Conquistadores terem terminado o campeonato nacional na quinta posição, no subsequente a história foi diferente. Com a equipa por si orientada a terminar num belo quarto posto, o prémio parecia ser um dado adquirido.

Contudo, havia um senão. A tal excepção supra mencionada. Na verdade, contrariamente ao que era expectável, a conquista de tal honrosa posição não foi significado de apuramento europeu, já que o eterno rival SC Braga, eliminara, de modo surpreendente, o Benfica nas meias finais da Taça de Portugal e, numa altura em que chegar à final da prova rainha do futebol portugês perante o campeão nacional era sinónimo de apuramento europeu, ficara com a última vaga.

Assim sendo, Pimenta, sentindo que aquela posição soubera a nada, manifestou a intenção de não pagar o referido prémio ao seu treinador, que já se sabia de abalada para o FC Porto na época seguinte, o que gerou uma fricção entre duas das personalidades com mais carisma das últimas décadas do século XX do futebol português.

Contudo, haveria de aceder, de modo a não comprar uma guerra que não poderia ganhar, atento o que tinha assinado... servir-lhe-ia, provavelmente, de lição em contratos futuros e Pedroto regressaria ao Porto com o bolso um pouco mais confortado!

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