COMO JOSUÉ SE ADAPTOU AO VITÓRIA, AINDA QUE COM TROPELIAS À MISTURA NO SEMINÁRIO...

Josué Sá abandonou o Vitória após o final da temporada de 2016/17, depois daquela final da Taça de Portugal frente ao Benfica.

Acabava assim um percurso que o viu chegar a Guimarães com 17 anos, depois de ter sido dispensado do Sporting, e que o fez passar a viver num seminário, como revelou ao jornal Expresso em entrevista concedida a 27 de Novembro de 2021.

Um local propenso às mais inúmeras tropelias pelo facto de nele estarem a viver vários jovens da formação vitoriana, ainda que como o jogador reconheceu, os mais novos fossem os visados de verdadeiras partidas...de aterrorizar. Assim, "Nós éramos os mais velhos porque éramos juniores. Aquilo era meio escuro à noite, então púnhamos um lençol branco por cima de nós e. íamos bater à porta dos miúdos, tipo fantasmas. Os miúdos ficavam cheios de medo, não dormiam, e chegavam ao pequeno almoço no outro dia cheios de olheiras e comentavam. Não nos descosíamos, só dizíamos:" Nós também sentimos qualquer coisa na porta, o que seria aquilo?". E eles: "Nós vimos os fantasmas."

Mas se invocava-se o sobrenatural, o local, também, era propício a originais partidas de futebol, em que, como qualquer jovem, as promessas vitorianas davam uso à sua imaginação, uma vez que "Todas as noites fazíamos um jogo de três para três, tipo torneios. Levantávamos as camas para fazer de baliza, às vezes as camas caiam em cima de nós e era uma grande confusão."

Todavia, uma vez a acirrada disputa iria acabar mal, com Josué a colocar em risco a sua integridade física, ainda para mais na véspera de um jogo. Como o próprio contou, "na véspera de um jogo, eu estava a jogar, chutei o pé da cama e fiquei com o dedo todo torto, virado para cima. Aquilo foi um pânico. Éramos miúdos, não estava lá nenhum responsável a cuidar de nós, basicamente nós os mais velhos, que tínhamos 17, 18 anos é que éramos os responsáveis." Valer-lhe-ia o seu companheiro de equipa de alojamento, Tiago Rodrigues, "a correr em sprint para me ajudar e a trazer uma pedrinha de gelo muito pequenina que partiu lá do congelador." Um susto, até por ter ficado "com o dedo todo para cima, cheio de dores."

Porém, o problema ainda permanecia. Como contar aos responsáveis vitorianos o sucedido, atento que o "problema é que não podíamos dizer que estávamos a jogar à bola porque era absolutamente proibido. Disse que o meu telemóvel tocou, fui a correr para atender e bati na cama." Seria levado para o hospital, onde diagnosticaram-lhe uma luxação, e teria de voltar a explicar a história aos responsáveis do clube, que retorquiram "Ai e tu quase partes o dedo grande do pé para ires atender o telemóvel. Mas tu pensas nós somos de onde, pá?"

Sairia, contudo, da história sem males de maior monta, e com disponibilidade para continuar a afirmar-se no Vitória, até chegar a capitão da equipa principal...

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