O Vitória vivia dias de incomparável fulgor.
Com efeito, após o terceiro lugar conquistado na temporada de 1968/69, o Vitória passou a ser um emblema capaz de despertar a curiosidade além-fronteiras. Além disso, a certeza de os Conquistadores estrearem-se nas provas europeias na época de 1969/70, obrigava a um tipo de preparação diferente e mais cuidada do que em anos anteriores.
Assim, como escreveu o jornal do clube de 13 de Setembro de 1969, "O Vitória foi a Espanha disputar a II Taça Cidade de Pamplona, competição organizada pelo Osassuna, com o patrocínio do Ayutamiento local."
Na verdade, nem era essa a escolha principal, mas "depois de várias hipóteses de digressões que por falta de datas apropriadas tiveram de ficar sem efeito", pelo que a "...oportunidade de ir a Pamplona foi compreensivamente bem recebida..." Na verdade, "para além da compensação monetária, sempre de ter em conta, a equipa teria a facilidade de fazer a rodagem com equipas de categoria."
A viagem, socialmente, seria um êxito. "Muitas fotografias de vários jogadores foram publicadas e alguns inseriram até factos inerentes à sua vida passada e recente." Mais do que isso, "quando o Vitória fez a sua ligeira sessão de treino no dia imediato, vários periódicos publicaram larga reportagem acompanhada de fotos da sessão e sobretudo de Gilberto Carvalho em atitude de comando.”
Contudo, os Conquistadores sentiriam dificuldades a nível desportivo, "até porque, o inesperado do convite, não deu tempo a uma preparação e rodagem capazes de assegurar um êxito que, de resto, estaria certamente ao alcance da equipa, um pouco mais para diante...”
Assim seria, com os Conquistadores a começarem a prova a perderem por uma bola a zero frente ao Maiorca, graças a um golo de Cáceres aos 26 minutos do desafio. Era o suficiente para a equipa ter de disputar o terceiro posto contra o Osassuna, a equipa da casa e, teoricamente, superior ao conjunto balear. Assim seria, de pouco valendo o único golo vitoriano na prova, apontado por Mendes "com um remate inesperado e pleno de forma e direcção", como a fotografia demonstra.
O Vitória, apesar dos desaires, deixava cartel em Espanha, reforçado pelo facto de "o público entusiasta de Pamplona, que assistiu aos jogos, sublinhou sempre os melhores lances de futebol do Vitória com vivos aplausos, tendo no último jogo, despedido a equipa com uma prolongada salva de palmas."
Ganhava-se em prestígio, o que não se ganhou em campo...

