COMO NASCIMENTO CHEGOU AO VITÓRIA, PARA TORNAR-SE NUMA PEÇA CHAVE DOS CONQUISTADORES...

Para os artistas de fino recorte de um onze poderem expressar toda a sua linguagem futebolística, terão de ter a certeza que atrás deles estão homens capazes de sacrificarem-se pela sua liberdade criativa. Os chamados "carregadores de piano", dispostos a serem as traves-mestras do onze, libertando os mais tecnicistas para outras missões. Porém, equipas há, em que o médio defensivo é mais um que é dotado de bons pés, de qualidade técnica, ajudando ao perfume de futebol ofensivo da sua equipa.

Deste modo, naquela inesquecível equipa que apaixonou o Vitória, primeiro com António Morais e depois com Marinho Peres, existia um jogador assim: Rui Nascimento, que abraçou a posição de médio mais recuado por iniciativa de António Morais, como reconheceu, em entrevista ao jornal do Vitória de 30 de Dezembro de 1986, ao dizer que foi "por opção do técnico" que passou a jogar "num lugar a que não estava habituado". Atento a isso, "passei a ser o tal carregador de piano, designação a que se dá vulgarmente ao médio organizador de jogo que mais perto está da sua defensiva."

Deste modo, pelo facto de não estar a actuar numa posição que não fora a sua até ao momento em que chegara ao Vitória, proveniente de Setúbal, no início do exercício de 1985/86, "a massa associativa notou que esse não era o meu lugar", ainda que fosse pedra preponderante no onze gizado por Morais e que haveria de garantir um belo quarto posto na tabela classificativa, chegando a apontar dois golos.

Para além desse processo de adaptação a uma posição mais atrasada no terreno de jogo, ele que no homónimo sadino no exercício de 1983/84 chegara à dezena de golos, ressaltaria uma confissão com olhos no futuro, pois "com certeza que não fiz o contrato da minha vida quando assinei pelo Vitória." Todavia, mais do que o dinheiro "a minha aspiração visa mais longe, progredir até onde for possível."

Uma progressão que começara em França, para onde emigrara com os pais, no Centro de Formação de Futebol Profissional de Sochaux onde estava durante cinco anos e conheceu estrelas do desporto-rei europeu como o guarda-redes Joel Bats ou os médios defensivos Bernard Genghini e Yannick Stopyra e que tivera o primeiro contacto com o país natal quando foi chamado por Peres Bandeira para representar a selecção nacional de juniores que disputou o Campeonato Mundial do escalão no Japão e daí comprometer-se com os juniores do Benfica para começar a sua carreira no futebol português.

Falamos, pois de uma carreira pautada sempre pela ambição, já que "jogar para ganhar em cada Domingo é a nossa aposta. A nossa intenção é sempre a de discutirmos os dois pontos ... Penso que o Vitória tem este ano capacidade futebolística para lutar pelo título..." Não sucederia, mas ficaria a marca de um homem que em quatro temporadas faria 134 partidas, apontando seis golos. Haveria de regressar como adjunto de Manuel Cajuda naquelas inesquecíveis épocas de 2006 a 2008, onde o Vitória foi resgatado das catacumbas da Segunda Liga e chegou à Liga milionária do futebol europeu... mas isso, será outra história!

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