Uma fotografia que é uma pérola.
O Vitória tinha-se mudado de sopetão para o novo estádio por imposição das entidades desportivas do país que, de um momento para o outro, decidiram que todas as equipas deveriam receber os seus oponentes em recinto relvado, caso o adversário jogasse em casa nessas condições.
Por isso, foi em contra-relógio que o conjunto vitoriano preparou a nova casa para estreá-la no primeiro desafio de 1965, frente ao Belenenses. Num estádio quase sem bancadas, com camarotes rudimentares de madeira, com os jogadores a equiparem-se no anterior recinto, a Amorosa, e a descerem daí para o novo campo, tudo se assemelhava a uma dimensão paralela.
E, assim seria, durante algum tempo.
Porém, aos poucos tudo ir-se-ia alterando, ainda que esta imagem retrate essa primeira fase com uma bancada peão de reduzidas dimensões com os vitorianos nela amontoados. Mais do que isso, esta bancada até 1990 faria parte da mitologia vitoriana. Era o local onde se via o futebol de pé, onde, provavelmente, as emoções fluíam mais livremente e num futebol, ainda, sem claques era de onde provinha o apoio mais caloroso.
Entretanto, o jogo mudou. A lei obrigou a que todos os locais fossem sentados. As constantes obras de remodelação do, hoje, D. Afonso Henriques levaram a que esta mítica bancada deixasse de existir. No seu lugar, primeiro, existiu durante a última década do século XX uma reduzida infra-estrutura destinada às claques e adeptos visitantes, dando depois lugar à bancada topo Sul vitoriana, onde se encontram os White Angels.
Todavia, a magia do antigamente haverá sempre de povoar os espíritos... e dos nossos leitores, quem se lembra do velho peão?
