Era o dia da final da Taça de 2017. Aquela em que o Vitória, pela última vez, até agora, calcou a relva do Jamor.
Entretanto, tinham passado 4 anos desde a mais bela tarde da história dos Conquistadores, a de 26 de Maio de 2013, dia em que o Vitória, graças aos golos de Soudani e de Ricardo, conseguiram conquistar o troféu.
Por isso, urgia entrevistar um dos capitães daquela equipa que, conjuntamente com o vimaranense Alex, teve a honra de erguer o caneco, liderando-a dentro do relvado durante a inesquecível peleja, dando o exemplo, como cavaleiro de muitas batalhas, aos jovens que o acompanhavam.
Nessa entrevista ao Jornal Expresso demonstrou tudo aquilo que deverá ser a mística, assumindo, desde logo, que aquele fora o dia mais feliz da sua carreira, pois, "o grupo de trabalho passou um ano muito difícil e no final da época poder jogar uma Taça de Portugal, defendendo as cores do Vitória e conseguir o êxito contra uma grande equipa como o Benfica… acho que ficou na história."
Uma história que dava um filme (de final feliz!) pois, "Não é segredo para ninguém que o Vitória passava por problemas financeiros muito, muito, muito maus. O clube esteve praticamente à beira de fechar as portas, mas um clube como o V. Guimarães não tem hipótese de fechar as portas. A cidade abraçou, o presidente fez um trabalho extraordinário, conseguiu recuperar a imagem do V. Guimarães e conseguiu cumprir todos os objetivos e todos os compromissos. E nós termos chegado ao Jamor e termos ganho acho que ajudou muito o Vitória a ser o Vitória que é hoje. As pessoas sabem disso e é por isso que têm muito carinho por aquela equipa de 2013. Passámos muitas dificuldades, mas nunca deitámos a toalha ao chão."
Um verdadeiro exemplo que reforçou o balneário, mas que, também contou com a maior riqueza do clube, os seus adeptos. Na verdade, "A cidade de Guimarães respira Vitória 24 horas por dia. Eles vão dormir com o Vitória e acordam com o Vitória. Todas as pessoas têm carinho pelo clube e é como se o clube fizesse parte da família. Isso é gratificante, você jogar num clube em que os adeptos respiram futebol. Em Guimarães não se fala em FC Porto, Benfica e Sporting, fala-se em Vitória e o jogador que veste a camisola do V. Guimarães tem que perceber logo ou não vai virar um jogador à Vitória."
Um verdadeiro exemplo do embebimento na especial mística do clube, reforçada num pormenor que todos os vitorianos reforçarão: "Você fala Guimarães e eles vão puxar-te a orelha [risos]! O Vitória tem essa mística e o jogador tem de ter a mística do clube senão não vai ser feliz lá."
Uma mística que, no fundo, é sentida em qualquer canto da cidade, pois, "Apoiavam-me, diziam aquelas coisas “vamos lá!” ou “vamos vencer!”, mas o jogador tem que se controlar e não ir na onda dos adeptos. Sabíamos que tínhamos de fazer uma semana de trabalho muito concentrada, mas a cidade respirava o Jamor..."
Com um sentimento tão grande a transbordar no peito, não era de surpreender que as suas duas filhas já fossem associadas dos Conquistadores, pois "A minha filha mais velha foi criada no Vitória, cresceu dentro de Guimarães. No infantário as pessoas sabiam que ela era filha do Olímpio e sempre foi muito acarinhada. A mais nova tem 30 dias e a mesma adepta que nos ofereceu os rosários pediu-me se a podia colocar como sócia do Vitória. E eu dei permissão."
E, essa será sempre a força do balneário... Homens, que mesmo não nascendo em Guimarães, identificam-se facilmente com a idiossincrasia de um clube e das bancadas. No fundo, o cimento que cola os cacos quando tudo parece abalar... e que sorte tem o Vitória, nos últimos anos, de ter tido nos seus quadros, para além de Olímpio, homens como Alex, Douglas, André André, Cafú, Bruno Varela, Tiago Silva ou Borevkovic...sem o talento ser comparável, serão todos eles inigualáveis na liderança, na vontade de vencer e no exemplo aos outros. Achamos que isso se chama mística e deverá ser inegocíável no destino de qualquer equipa!
