COMO COM UM IMPARÁVEL JORGE GONÇALVES, O VITÓRIA APLICOU A MAIOR GOLEADA AO FARENSE

Aquela temporada de 1971/72 era de transição.

No primeiro ano em que Mário Wilson liderou a equipa, depois de dois apuramentos europeus e um ano de atroz susto, exorcizado com o miraculoso empate das Antas, era importante proceder ao rejuvenescimento da equipa. Assim, mais do que formar um conjunto para, de imediato, vencer, importava lançar as bases para uma década, pelo menos, tão frutífera como fora a anterior e sem os sustos sofridos na temporada que findara.

Deste modo, num ano de transição em que se destacam as entradas de Custódio Pinto, irmão de Manuel e proveniente do FC Porto, do inesquecível goleador Tito, proveniente da União de Tomar, e de Manafá que, para sempre, ficará no coração dos vitorianos, os Conquistadores saberiam caminhar sem grandes preocupações e com um ou outro momento de exaltação.

Num campeonato regular, em que a equipa vitoriana conseguiu findá-lo num tranquilo sexto posto, com tantos triunfos quanto derrotas (onze), assinalaremos aquele dia 12 de Março de 1972, quando o Vitória recebeu o Farense em sua casa, que, à data, encontrava-se em igualdade pontual com os Conquistadores.

Seria uma das mais belas tardes vitorianas daquele exercício. A alinhar com Gomes; Costeado, Manuel Pinto, José Carlos, Osvaldinho; Ribeiro, Hélder Ernesto, Custódio Pinto; Cartucho, Jorge Gonçalves e Tito, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 18 de Março desse ano, "admitimos que (...) o quadro vitoriano passa por um período de transição, dominado que está pela renovação, que nele se processa." Porém "há prenúncios de bonança, mesmo uma quase-certeza de regresso a glórias passadas."

Este sentimento era corporizado por uma das maiores goleadas da temporada por cinco bolas a uma, só suplantada pelos sete a um com que foi despachado o Tirsense, naquela que foi a tarde de glória de Jorge Gonçalves. Com efeito, o ponta de lança luso-brasileiro apontaria o seu único hat-trick de Rei ao peito, numa temporada em que chegou aos dezasseis tentos. Os outros momentos de alegria Conquistadora seriam causados pela grande penalidade cobrada por Manuel Pinto e por mais um golo de Tito. O Vitória triunfava por cinco bolas a uma e dava garantias de um ano muito mais tranquilo em relação ao anterior.

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