Aquela temporada de 1953/54 até nem estava a correr mal...
O Vitória, treinado por Cândido Tavares, chegava à décima jornada do nacional maior num espectacular quarto posto, com apenas uma derrota. Uma prova acima da média que desencadeava, por isso, as maiores expectativas nos apaixonados adeptos.
Porém, naquela tarde em casa do FC Porto tudo foi posto em causa. A equipa composta por Meca; Silveira, Francisco Costa; Queiroz, José da Costa, Bibelino; Cerqueira, Caraça, Miguel, Gilberto e Rola foi vergada ao inexecutável, que se cifrou numa pesada goleada de uma dezena de golos sem resposta.
Um desaire tão pesado que fazia o primeiro número de 1954 do jornal Notícias de Guimarães questionar como "pode lá ser uma coisa destas, quando o Vitória estava a ser tão regular na sua ascensão ao encontro dos 4 Grandes, que simbolizam o expoente máximo do futebol português."
Tão grande e doloroso que o cronista AA que assinava um texto dirigido "A Um Espectador" levantou a hipótese de, num primeiro impulso, "agarrar no seu cartão de sócio do Clube e rasgá-lo em mil bocados." Não o fez e, segundo ele, "ainda bem."
Por isso concluía que "há duas classes de adeptos do Vitória: uns são vitorianos e os outros são vitorinos." Os primeiros são "os dedicados (...) que sempre ampararam o clube tanto no triunfo como na derrota". Os outros "são os que dão vivas, que saltam, que berram quando o Vitória ganha e fazem-lhe um funeral de primeira classe, amortalhando-o com os restos dos seus cartões de associados, quando perde."
A verdade é que o cronista tinha razão. Ainda que os Conquistadores voltassem a ser goleados por cinco bolas a uma na Amorosa, na jornada seguinte, frente ao Sporting, com o apoio de todos conseguiriam dar a volta ao texto. Terminariam o campeonato nacional num tranquilo oitavo posto entre catorze concorrentes e com a certeza que é nos momentos mais difíceis que os vitorianos deverão dizer presente... e, verdade seja dita, nunca têm falhado!
