Aquela temporada de 1984/85 não correra pelo melhor.
A aposta em Goethals, treinador de renome no futebol europeu não correra pelo melhor, o que levara a uma tremenda desilusão aos vitorianos. Por isso, aquela Assembleia-Geral de início da temporada de 1985/86 que aconteceu em Julho de 1985 e tinha como ponto principal a deliberação de um aumento de quotas, que só por si gerava feroz oposição e indignação, tinha tudo para ser escaldante
Porém, antes disso, e desse momento que haveria de ser polémico, outro de igual amplitude aconteceria, logo no início do ponto destinado a discutir a actividade do clube. E, aí, de imediato, Pimenta haveria de ficar debaixo de fogo-cruzado de alguns presentes, começando pelo facto de não ter comparecido na reunião-magna anterior. Com efeito, como narrou o jornal Povo de Guimarães de 10 de Julho de 1985, tal conduziu a que um associado referisse que "O Sr. Presidente fez-nos cá vir todos à ultima Assembleia e sem qualquer explicação não apareceu."
Entre os gritos da plateia que tal atitude houvera sido uma vergonha, continuou dizendo que "gastaram-se milhares de contos em experiência nucleares" e que "o segredo da manga que o Sr. Presidente disse ter na última Assembleia em relação a novos jogadores nunca saiu da manga."
Pimenta, esse saberia defender-se ao dizer que não houvera estado no acto dos associados porque estivera no Brasil, lamentando o facto de estar a ser atacado pela Bola "que é um jornal comercial e só eu sei os processos não lícitos que já utilizei para segurar alguns jornalistas da Bola." Por sentir os associados na mão e para desequilibrar a assembleia definitivamente em seu favor, anunciou as contratações de vários jogadores como Vítor Pontes e Luís Castro da União de Leiria e Adão do Varzim e... lamentou não ter como presidente da Câmara alguém como Mesquita Machado, edil da cidade vizinha.
Porém, ainda haviam focos de resistência e por isso um associado subiu ao púlpito para aludir à venda do jogador Paquito ao FC Porto, referindo que "fomos e estamos a ser enganados pelo Sr. Presidente. O Sr. disse que o Paquito era inegociável e ele foi para o Porto. Ano passado apostou-se na juventude e este ano 3ª idade. O Costa é velho. os Brasileiros são de 30 anos."
Perante os aplausos, Pimenta indignou-se e levantou-se para dizer que se pensavam assim a Assembleia acabava e ele ia já embora, o que levou a que o presidente da Assembleia-Geral, António Xavier, pedisse, sob forma de aprovação, uma salva de aplausos para a direcção. Nem isso teria êxito, com esta a ser muito reduzida.
Num cenário dramático, teve de se fazer uma votação na hora, de braço no ar, com a pergunta "Quem vota a favor de que a direcção continue?" Os braços ergueram-se e, como refere a publicação consultada, "não sabemos se a maioria, mas (...) uma parte significativa, e o Presidente da Assembleia interpretou como uma prova de confiança na Direcção."
Pimenta, por isso, haveria de continuar, para acabar por dizer que fora Paquito que tinha pedido para sair e que os brasileiros haviam sido indicados pela velha glória do clube, Edmur, não tendo a direcção qualquer responsabilidade, e que "... um deles tinha menos de 30 anos, 26 ou 27."
Porém, o ambiente ficava inflamado para a discussão da subida dos valores das quotas...contudo, isso já será material para outra história.
