Estávamos no início da temporada de 1965/66...
O Vitória, presidido por Manuel Cardoso do Vale, olhava para a temporada com ambição, consubstanciada pelas contratações de jogadores como Joaquim Jorge, Djalma ou José Morais.
Além disso, a surpresa estendia-se à escolha do treinador, depois da partida do argentino José Valle, e que fazia com que o jornal A Bola de 03 de Julho de 1965 intitulasse "Sensação em Guimarães." Uma sensação que causou surpresa, pois, "sabia-se que o clube tinha os olhos postos na América do Sul, mais concretamente no Norte do Brasil. A direcção do Vitória nunca fizera segredo disso, até pela ajuda que lhe poderia dar na resolução que o caso, agora, teve."
Deste modo, a aposta parecia recair em Ricardo Diaz, sendo que o técnico Palmeira também foi hipótese. "E quando se admitia, que mais dia menos dia, viesse do outro lado do Atlântico, Ricardo Diaz - ou qualquer outro técnico de nomada - eis que deflagrou a "bomba Luciano."
Uma transferência que se conseguiu guardar em absoluto sigilo, recrutando o Vitória o anterior técnico do Sporting, sendo que as partes chegaram a acordo após um jantar na Penha, "seguiram para a sede do Vitória, onde Jean Luciano subscreveu o respectivo contrato, partindo de seguida para Lisboa, em automóvel."
Feliz com o desenlace, Hélder Rocha confessaria que "datam já de Maio nossos primeiros contactos com Jean Luciano. Nunca foram divulgados porque as duas partes se comprometeram manter o maior sigilo." Quanto aos rumores do treinador poder ser brasileiro, este devia-se, apenas, a ter uma garantia caso a primeira aposta falhasse.
Porém, apesar de ser o contrato mais caro da história do clube, Hélder Rocha diria que "Luciano ganhará menos do que no Sporting, mas mais do que qualquer outro técnico já ganhou em Guimarães. É o treinador mais caro da história do clube." Acabaria por provar que o preço viaja em proporção com o êxito...e por isso de caro teria pouco ao conquistar um quarto lugar com um futebol de encantar!

