Finalmente, os Conquistadores estavam de regresso ao lugar que haviam ocupado entre 1942 e 1955: a Primeira Divisão onde se tinham cristalizado e de onde tinham caído quando, provavelmente, tinham apostado de modo mais declarado num grande campeonato ao contratarem o treinador tricampeão nacional pelo Sporting, o inglês Randoplh Galloway.
Porém, nada correria como o projectado e a equipa vimaranense haveria de cair na Segunda Divisão, onde passaria os três anos seguintes. Três anos de luta, de sacrifícios, de investimentos financeiros que demoraram a ter retorno e cuja felicidade só seria encontrada nos jogos de Promoção em 1958, perante o Salgueiros.
O Vitória estava de regresso ao escalão maior do futebol português e, como escrevia, o jornal A Bola, de 22 de Setembro de 1958, no início da crónica que narrava o triunfo por três bolas sem resposta sobre os Belenenses, "o remodelado campo da Amorosa agora com melhor piso e com muitíssimo melhores condições para o público, aliás ainda não completas (prevê-se a sua inauguração dentro de 15 dias, quando da realização do jogo Vitória - Sporting de Braga) registou ontem a presença de avultado número de espectadores."
Essa onda de entusiasmo teria continuidade nessa partida e que o Vitória venceu por três bolas a uma, numa história já aqui contada e que fez com que o Notícias de Guimarães, num texto escrito pelo cronista com o pseudónimo Um de Nós considerasse que "A carreira do Vitória neste início do Nacional, traz, positivamente, entusiasmados todos os vimaranenses, tanto os adeptos habituais do jogo, como aqueles que vibram quando um acontecimento de qualquer ordem lhes engrandece a terra."
Por isso, o clube vivia horas felizes, pois "corremos a nossa vista pelo ficheiro destes novos associados e verificamos que o mesmo é constituído especialmente por jovens e senhoras." Um claro sinal de que o clube tinha futuro, vitalidade e sementes que como, felizmente, se percebeu, floresceram até aos tempos de hoje. Tal era reconhecido no texto, ao dizer-se que "Quanto aos jovens sabêmo-lo bem que eles darão continuidade ao entusiasmo que os guia presentemente e que os levou a inscreverem-se como sócios do Vitória, ficando nas suas mãos o futuro e a continuidade do clube!" Não se enganaria, até aos dias de hoje...
A ajudar a esse enorme envolvimento, a já referida inauguração da nova bancada da Amorosa que "parece que desenvolveu o interesse das mulheres da nossa terra pelo futebol, grande espectáculo da hora presente. Que sejam bem-vindas e que desenvolvam em si o afecto pelo Vitória, pois todas as obras, sejam de que natureza forem, só atingem a verdadeira plenitude quando acarinhadas pelo sentimento feminino." Felizmente, este jamais se perdeu, tendo, ainda hoje, as bancadas do D. Afonso Henriques um grande número de meninas e mulheres sempre dispostas a apoiar e a sofrer pelo Vitória,
Por isso, concluía-se que "O Vitória é, na realidade, a colectividade vimaranense que maiores momentos de entusiasmo cria em todos aqueles que vibram com as glórias de Guimarães. A hora presente é de verdadeiro entusiasmo..." Ainda assim, como hoje sucede, "O Vitória precisa de todos, mas de todos mesmo, dos seus associados de muitos anos e dos seus novos adeptos, mas em todos os momentos, naqueles agradavelmente bons e também nos outros infelizmente maus.”
Como hoje, também, deverá ser...
