Dizem os vitorianos que o Benfica é dotado de fortuna incomum quando enfrenta os Conquistadores na casa do Rei. Seja por ser completamente dominado e vencer de modo fortuito, seja um inesperado erro a permitir que triunfe, o clube lisboeta poderá considerar-se afortunado quando enfrenta o Vitória em Guimarães.
Porém, nem sempre tal sucede, sendo que, principalmente, no velhinho e já demolido Benlhevai sentia inusitadas dificuldades, que depois foram transferidas para a lendária Amorosa. Foi neste recinto, situado onde hoje se encontra o Centro Comercial Triângulo e o parte de estacionamento, que os encarnados sofreram a sua maior humilhação na Cidade Berço.
Estávamos a 31 de Março de 1943, e depois da valorosa equipa treinada por Alberto Augusto, já após ter batido o FC Porto e o Belenenses, recebia o Benfica que liderava a tabela classificativa e haveria de sagrar-se campeão nacional. Aliás, depois de perder com o Sporting, não mais o Vitória perderia.
Nesse dia, segundo a Revista Stadium da época, os lisboetas não tiveram capacidade, nem talento, para tornear o jogo vitoriano. Na verdade, o entusiasmo vitoriano foi capaz de tudo levar à frente. Marcou primeiro por Miguel, sofreu um golpe através do empate obtido por Alfredo Valadas, que futuramente seria treinador do Vitória, para chegar ao intervalo em confortável liderança, com um bis de Ferraz.
Na segunda metade, a confirmação da superioridade do Vitória com mais dois golos apontados por Alexandre e Arlindo, para a obtenção do resultado final de cinco tentos a um... no maior triunfo de sempre obtido frente ao Benfica.
Como episódio marginal, destaque para num poema realizado por Belgatour, na rubrica Gazetilha, no Notícias de Guimarães, glosar com a habitual sobranceria e arrogância lisboeta... corporizada num porco!
Ora atentem:
Levem a mal ou a bem
digo que Guimarãis tem
mais fama agora que dantes,
Dá-lhe o seu Grupo querido,
em Portugal conhecido
pelo Derruba gigantes...
E não me digam que não!
O futebol tem condão
de apaixonar multidões,
criando também matias
que se dão a profecias
de infalíveis...sabichões.
Do jogo com o "Vitória",
isto que parece história
foi verdade, e aqui fica:
- Certo patusco ficou
sem o porco a que apostou,
pelo lado do "Benfica."
Dizia ter a certeza,
e apostara com firmeza
que o "Benfica" triunfava.
Catrapuz! Foi-se o porquinho,
que era pró seu governinho,
e quatro arrobas pesava.
Ter assim um bicho, e dá-lo
quando podia matá-lo
e comê-lo, foi asneira.
- Agora, adeus costeletas!
A crença nos lisboetas
pôs de luto a salgadeira...