Apesar dos indícios daquela pré-temporada de 1950/51 não terem sido os mais animadores, com o Vitória, inclusivamente, a perder em casa com o eterno rival, o campeonato até nem começou em tons excessivamente negativos.
Na verdade, o empate a dois na estreia desse exercício na Amorosa, frente ao FC Porto, parecia indiciar que a equipa já estava a entrar nos eixos no que a exibições e a resultados dizia respeito. Tanto assim era, que o jornal Notícias de Guimarães datado de 24 de Setembro de 1950, assumia que "contrariando o indiferentismo de uns e o cepticismo de outros (...) perante numerosa assistência, o Vitória (...) não deixou os seus créditos por mãos alheias, empatando com o Futebol Clube do Porto." Tratou-se de uma igualdade a dois, com Mota e José Brioso a colocarem, inclusivamente, o Vitória a vencer na segunda parte, numa vantagem que os Conquistadores seriam incapazes de manter.
Era um resultado tido como positivo mas que urgia confirmar na jornada seguinte a disputar no sopé da Serra da Estrela na Covilhã. Porém, naquela tarde tudo de surreal aconteceu ao Vitória. Com efeito, a alinhar com Silva; Alfredo, Vieira, Francisco Costa; Cerqueira, Cardoso; Alcino Brioso, Mota, Franklim, Rebelo e Fernando, os Conquistadores fizeram uma primeira parte de nível superior, chegando ao intervalo a triunfar por três a um, atento os golos de Rebelo, Alcino Brioso e de Fernando.
Parecia ser uma tarde feliz para o Vitória que, contudo, iria afundar-se completamente na segunda parte. Uma enorme desilusão que o Notícias de Guimarães de 01 de Outubro desse ano, dizia que "os vimaranenses, adeptos do futebol, sofreram no passado Domingo emoções fortes e diferentes, motivadas pelas notícias do jogo entre o Vitória e o Covilhã..." Com efeito, se as notícias chegadas ao intervalo que davam a conhecer que os Conquistadores estavam a triunfar por três bolas a uma eram geradoras de satisfação, "... quando houve conhecimento de que o final do encontro chegara com os covilhanenses a triunfar por 6-3, a surpresa foi enorme, a ponto de muitos não quererem acreditar no resultado."
A contribuir para essa derrocada, as expulsões, quase em simultâneo de José Mota e de Alcino Brioso, o que, mais do que a derrota, levava a que o jornal consultado lamentasse que "a verificação de tal facto para aqueles que verdadeiramente prezam o bom nome do Clube e anseiam pelo seu prestígio sempre crescente, constituiu tremendo aborrecimento." A tornar os espíritos mais críticos, o facto de "durante toda a época passada ao Vitória e aos seus homens não foi aplicada a mais leve sanção disciplinar."
Por isso, exortava-se que "é preciso saber, portanto, dominar os nervos, sofrer os ímpetos, suportando com resignação ofensas e até injustiças, cujo repúdio público imediato possa vir a redondar em prejuízo da colectividade que se serve." Por isso, concluía-se que "no campo manda o árbitro... e mande mal ou mande bem, há que obedecer-lhe."
O Vitória continuava sem vencer e desfalcado nas próximas jornadas, ainda haveria de estar mais dois jogos sem encontrar os caminhos do êxito... mas isso, já serão outras histórias!
