COMO AQUELE DESAFIO COM O BELENENSES FOI UM VERDADEIRO JOGO DE MANHAS...

Aquela maratona da época de 1990/91 não estava a ser fácil para o Vitória.

Numa prova longuíssima com 38 partidas, na 22ª os Conquistadores já haviam conhecido três treinadores, com João Alves a ser o encarregado de levar a nau até mares tranquilos, depois de Paulo Autuori e Pedro Rocha terem falhado nessa missão,

Porém, o técnico não teve vida fácil, com a equipa a denotar uma crónica e irritante incapacidade de pontuar, e até marcar golos, longe de Guimarães, como se comprovou em mais um episódio triste da tumultuosa relação vitoriana com a Taça de Portugal, ao ser eliminada pelo secundário Feirense.

Por isso, era imperioso vencer os jogos disputados em casa, principalmente contra adversários ainda mais aflitos, como era o caso daquele Belenenses, posicionado no último lugar da tabela e a parecer entregue ao seu destino.

Com as duas equipas a precisarem de pontos como de pão para a boca, ambos os treinadores tentaram surpreender o oponente com jogadas surpreendentes. Assim, como escreveu o Povo de Guimarães de 05 de Abril de 1991, "João Alves tomou uma decisão..., mandou a equipa de rega molhar o campo, torná-lo mais pesado, obrigando a um maior esforço físico." Por sua vez, o brasileiro Moisés Andrade, líder dos homens da Cruz de Cristo ao peito, ainda foi mais surpreendente, pois, "partindo do princípio, que à noite a luz se reflecte melhor no branco, mandou a sua equipa equipar de branco (...) obrigando o Vitória a jogar de preto."

Ambas as decisões geraram controvérsia. A vitoriana, porque apesar de Alves confiar no seu trabalho no que ao físico dos seus homens tangia, uma vez que dispensara os serviços do preparador físico, foi o adversário "a melhor equipa que melhor se adaptou e por aí não foi a vantagem do Vitória." A do adversário, porque "o árbitro Miranda de Sousa interpretou tal possibilidade como contemplada pelas leis de jogo, mas o público vitoriano não o entendeu assim, e não foi muito fácil, sossegar alguns ânimos nas bancadas dirigidos a responsáveis belenenses instalados no Camarote da Direcção do Vitória", até pelo facto do preto no Vitória ser um equipamento capaz de potenciar a má sorte.

Com o ambiente, por isso, efervescente, e o Vitória a alinhar com Jesus; Basílio, Soeiro, Jorge, Cerqueira; Carvalho, N'Dinga, Basaúla, João Baptista; Chiquinho e Ziad, os Conquistadores não jogariam bem. Terão acusado em demasia a pressão de terem de vencer o desafio. Haveriam de subir, contudo, de produção na segunda metade do desafio, com a entrada de Fonseca para o lugar de Basaúla, o que faria com que o golo chegasse.

Um momento redentor, graças a Cerqueira que, naquela noite, marcou o seu único golo de Rei ao peito... na batalha das surpresas, o Vitória acabava por vencer e respirar com mais segurança, rumo à tranquilidade.

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