Podemos dizer que foi o sonho vitoriano.
O menino que chegou com uma mala carregada de sonhos. Em busca de a encher com tudo o resto. E, ao mesmo tempo, de garantir um futuro para os seus, lá longe.
Falaye Sacko foi a imagem perfeita desse filme. O protagonista de uma história que começou em 2015/16, quando chegou ao Vitória, vindo de uma curta e pouco marcante passagem pelo Sint-Truiden.
Ainda menino, com lacunas evidentes no jogo e até na formação pessoal.
Foi em Guimarães que se fez homem.
Começou na equipa B, pela mão de Vítor Campelos. Estreou-se a 17 de fevereiro de 2016, num empate a três frente ao Atlético, entrando para o lugar de João Vigário.
A partir daí, tornou-se presença regular. Um lateral capaz de dar largura com critério, sempre com preocupação defensiva, mas sem medo de subir. Rapidamente passou de promessa a alternativa real à equipa principal.
A estreia na equipa principal chegaria na época seguinte, já com Pedro Martins, num triunfo por 2-1 na Choupana frente ao Nacional . Um jogo que abriu as portas de um apuramento europeu.
Mas o caminho não foi linear.
Em 2017/18, após a saída de Bruno Gaspar para a Fiorentina, parecia ter a porta aberta. Não a agarrou. Entre Pedro Martins e José Peseiro, a preferência recaiu em Víctor García. Sacko ficou-se por seis jogos. Ficou aquém do que prometia e do que ele próprio acreditava ser.
Ainda assim, terminou a época como titular. E não largou mais esse estatuto.
Foi com Luís Castro que se afirmou de vez. Ganhou o lugar, deixou Dodô no banco e iniciou um ciclo de três épocas e meia como dono da posição.
Mais do que isso: tornou-se capitão.
Uma braçadeira que levou até ao fim. O último jogo, a 4 de Dezembro de 2021, foi uma vitória por 2-1 em Paços de Ferreira. Nessa mesma temporada, marcou o único golo de Rei ao peito, no 4-0 frente ao Vizela.
Em Janeiro de 2022, com Maga a surgir e João Ferreira como alternativa, saiu. Rumo ao Montpellier, primeiro por empréstimo mas com obrigação de definitividade.
Saiu de Guimarães.
Do clube onde cresceu. Onde se fez jogador. Onde se fez homem. E onde chegou a internacional pelo seu país.
Foram 117 jogos.
E a certeza de que será sempre lembrado, não só pelo que foi, mas pelo que representa.
Porque, no fundo, há histórias que ajudam a explicar o que deve ser um clube...
E esta é uma delas.
