COMO UMA FOTOGRAFIA HISTÓRICA SERVIU PARA ENTRONIZAR UM NOVO PRESIDENTE, NUM LEGADO CAPAZ DE PASSAR DE, COMO EM TANTAS FAMÍLIAS, PASSAR DE PAI PARA FILHO...

Falar da família Henriques da Silva no Vitória servirá quase para acompanhar a sua história, praticamente, desde a sua fundação até aos dias de hoje.

Bastará dizer que foi a única família na história do clube das poucas no futebol nacional cujo pai e filho foram ambos presidentes do clube. Um legado que começou com Antero Henriques da Silva Junior, líder máximo do clube entre 1947 e 1953, mas sempre presente na vida do clube muito antes disso, mas também muito depois do período em que foi presidente.

Porém, um dosdias mais felizes da sua vida deverá ter ocorrido a 13 de Abril de 1970, quando no Salão Nobre da sede dos Conquistadores, o seu filho Antero Henriques da Silva Júnior tomou posse como presidente do clube. Aliás, a fotografia apresentada eterniza esse momento, quando, após assumir o cargo, resolveu entregar ao progenitor, Presidente Honorário do clube, a placa comemorativa do seu investimento no cargo.

Numa sala cheia, as palavras do presidente cessante, Fernando Roriz, foram marcantes ao aludir à mística vitoriana que "essa mística que fez do Vitória um dos maiores Clubes de Portugal." Para a mesma ser mantida, exortou aos associados para que "apoiem a nova Direcção. Os dirigentes são os que mais desejam a glória do Clube."

Depois, chegaria o momento mais aguardado da noite, a intervenção do novo presidente do clube, que daria, desde logo uma grande novidade: "já lhes posso anunciar, também, que, quanto à nova época, teremos novo treinador. Recebi telegrama e depois carta confirmava (exibiu um e outro documento) de Jorge Vieira, anunciando o seu sim para trabalhar connosco na próxima época." Era o desejo de um treinador que na época de 1968/69 fizera história ao conquistar o primeiro terceiro posto da história do clube, mas que, naquela altura, ainda não se podia prever que iria passar um verdadeiro Cabo das Tormentas, nem sequer chegando a findar o exercício.

Porém, para a posteridade, mais do que palavras ou promessas, ficaria uma imagem... um pai e um filho juntos quase na passagem testimonial de um dos bens imateriais mais valiosos que poderemos legar: o amor e a dedicação ao símbolo do Rei...

Postagem Anterior Próxima Postagem