BERNARDINO PINA - VITORIANISMO À DISTÂNCIA, MAS, ACIMA DE TUDO, SEMPRE CAPAZ DE TUDO FAZER PELO CLUBE!

Antes de mais, enquadremos a fotografia que ilustra as presentes linhas.

Em Aveiro, na década de 60, um grupo de vitorianos mostrava com prazer as suas cores, antes de apoiar os Conquistadores no mítico Estádio Mário Duarte, casa do Beira Mar. Entre os que seguravam a bandeira, de óculos, estava o herói destas linhas: Bernardino Oliveira Pina, um vitoriano desde o nascimento até aos dias de hoje.

Como o próprio gosta de referir, o Vitória sempre esteve na sua vida, não tivesse estado o seu pai nas primeiras equipas da história dos Conquistadores e ele tivesse passado a meninice entre a Rua de Santo António e a Praça de Santiago.

Mas, voltando ao pai, poderemos dizer tratar-se de um pioneiro que, apesar de ter falecido muito jovem, soube passar os valores do clube ao seu filho, que desde, muito pequeno, se habituou a ir à Amorosa ver treinos, apoiar a equipa...e num tempo em que era mais difícil fazê-lo, deslocar-se para apoiar o Vitória.

E, assim, seria até começar a cumprir o serviço militar. Sempre a apoiar a equipa, fosse em casa ou fora. Durante o cumprimento da sua obrigação para com o país, mesmo nas províncias Ultramarinas, não deixaria o clube de lado... como efeito, quantos de nós, longe do Vitória e, até de Guimarães, sentimos com maior ardência o sentimento Conquistador, amplificamos o sofrimento pelas derrotas e a alegria pelos êxitos?

E essa seria a realidade futura do jovem Bernardino, após regressar. Tendo-se enamorado por uma jovem lisboeta e com possibilidades de ter emprego na capital por lá decidiria ficar. Porém, sem manter o apego a Guimarães, ao Vitória e a outros pontos que distinguem na nossa cidade: as Nicolinas e o Círculo de Arte Recreio, entre mais algumas.

Porém, voltemos ao Vitória. Longe do Castelo, mas sempre presente. Presente em todos os pontos do país, principalmente abaixo do Mondego, onde, algumas vezes foi o único adepto presente. Mas, raramente falhava, até chegar ao ponto de, pelos seus contactos, tornar-se Delegado do Vitória em Lisboa.

E teria essa função desde os tempos de Pimenta Machado até a Júlio Mendes. Era o representante dos Conquistadores nos sorteios. Desbloqueava questões, quase sempre a expensas próprias, logísticas e burocráticas junto à Federação Portuguesa de Futebol e de Clubes. Encaminhava transferências. Observava jogadores. Tudo a título gracioso, porque o Vitória é uma fé que temos de alimentar e de retribuir.

Hoje, sem qualquer função no clube, vive o Vitória de um meio bastante peculiar. Sofredor extremo pelos êxitos do clube, assume não ter força, nem capacidade de sofrimento, para assistir às partidas, muito menos, na televisão. Então, naqueles 90 minutos que o seu grande amor actua, vai fazer outras actividades... com o telemóvel junto a si para espreitar as notificações que vão chegando e poder exultar no final da partida. Aí sim... em diferido, tranquilo, assiste à partida, para perceber o que realmente sucedeu no prélio.

Também, de homens como Bernardino Pina fez-se o engrandecimento do clube... o engrandecimento que queremos passar às gerações vindouras!

Acabamos, endereçando-lhe um forte abraço, pois faz-nos o favor de ser nosso amigo, ainda que estas linhas não se devam a essa feliz realidade... são, apenas, a demonstração de como o Vitória deve ser amado, apesar de contrariedades e da distância!

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