I - Podíamos escrever tanta coisa, mas valerá a pena? Valerá a pena referir que foi a segunda parte mais bonita de 103 anos? Mas, também, a mais sofrida?
II - Com uma multidão do Berço da Nação a encher as bancadas do estádio, o Vitória, apenas com uma alteração em relação ao jogo do Sporting, com Arcanjo a substituir Camara, entrou a medo na partida.
III - Talvez, a acusar a pressão do jogo, a jovem equipa vitoriana entrou menos assertiva do que com o Sporting. Talvez, a acusar a pressão e a menor experiência do que o SC Braga, deixou o adversário tomar conta do jogo, dominando a posse da bola.
IV - Porém, não se esperava que o golo bracarense chegasse tão cedo. Uma falta duvidosa cometida por João Mendes permitiria um livre peigoso que Dorgeles cobraria com mestria. Um belo golo e o Vitória a saber que, pela terceira vez, em três jogos iria ter de lutar por dar a reviravolta a partida.
V - Mas, não seria na primeira parte, ainda que os Conquistadores até tivessem podido empatar a contenda até ao intervalo. Não o conseguiria, mas, também, evitaria que a final fosse a pender para o lado adversário de modo decisivo ao intervalo!
VI - Na segunda metade, tudo mudou. O Vitória foi imenso no querer e na vontade e continuou a contar com um Charles imponente, superlativo, absolutamente imbatível!
VII - E, se o guardião brasileiro fez (mais) uma exibição para jamais esquecer, osjogadores vitorianos começaram a aproximar-se da baliza de Hornicek… ainda que o golo tenha chegado numa grande penalidade que, inicialmente, não foi validada pelo juiz Hélder Malheiro. Mas, o VAR alertá-lo-ia, a grande penalidade seria apontada e Samu com nervos de aço não desperdiçaria.
VIII - Empertigou-se o Vitória. Passou a dominar completamente o jogo e antes de N’Doye entrar para a eternidade naquele voo irresistível, Nélson Oliveira (que bela segunda parte!) já tinha rematado a barra e Hornicek tinha negado o golo ao senegalês já em jogo.
IX - Até que chegou o golo que ficará para a história… a cabeçada que jamais esqueceremos… o voo imparável pela beleza, imponência e perfeição! O Vitória ficava em vantagem e o mais difícil parecia estar feito… apesar de todos saberem que iriam ter de sofrer.
X - E, assim foi… com o adversário a dar tudo, o Vitória agarrou-se ao sonho que estava tão perto! E, mesmo quando se soube que haviam nove minutos de desconto, sentiu-se que ainda havia uma montanha para escalar. Mas, não sabíamos que iria ser uma cordilheira…
XI - Já se pedia o fim do jogo, quando um lance na área vitoriana, levou ao momento do jogo. Grande penalidade a favor do SC SC Braga e o sonho a poder esfumar-se entre os dedos…
Mas, o herói destes dois jogos voltou a surgir! Que defesa de Charles! Um dos momentos mais arrepiantes da história do clube! Para passar de pai para filho…
XII - O Vitória ganhava a Taça, entrava na história e desencadeava uma enorme festa… era nossa! Será sempre nossa e a festa começava! Para durar até às tantas…
XIII - Foi uma final fantástica pelo amor dos vitorianos, mas também pelo desportivismo de todos os intervenientes. Pela convivência nas bancadas. Pela emoção do jogo. Haverá muitos adeptos a engolirem em seco pelos dois queridos inimigos terem proporcionado a mais bela das finais.
XIV - As nossas mais sinceras condolências ao adepto braguista que faleceu. Num jogo exemplar, bonito e de festa, a morte entrou no estádio… isso é aquilo que jamais queremos que aconteça!
XV- VIVA O VITÓRIA, SEMPRE…
