COMO BAÍA, NO REGRESSO A PORTUGAL, SOFREU OS PRIMEIROS GOLOS, A PRIMEIRA DERROTA E O VITÓRIA VIVEU UMA BELA NOITE...

Aquela temporada de 1998/99 não estava a correr especialmente bem...

A aposta em Filipovic fora um perfeito fracasso e Quinito, o bem-amado dos vitorianos naquela década de 90, haveria de regressar para tentar recuperar o élan europeu vitoriano, capaz de se qualificar por quatro vezes consecutivas para as provas europeias.

Porém, o mágico Quinas não teve tarefa fácil nesse ano. Com uma equipa já com alguma veterania sentiu inúmeras dificuldades, como se comprovou na derrota no derby eterno, frente ao SC Braga, por duas bolas a uma, não obstante o golo inaugural de Edmilson.

Logo a seguir a essa terrível desilusão seguia-se o embate com o FC Porto. Uns dragões que chegavam aquela 22ª jornada do campeonato na liderança, embalados pelos golos em catadupa de Jardel e, acima de tudo, pelo regresso do guarda-redes Vítor Baía que, depois de ter vivido temporada e meia de pesadelo em Barcelona, voltava a casa em busca do tempo e dos créditos perdidos.

Parecia uma montanha para escalar para a equipa composta por Pedro Espinha; José Carlos, Arley Alvarez, Alexandre, Tito; Márcio Theodoro, Vítor Paneira; Riva, Gilmar e Edmilson, mas que seria capaz de cumprir a missão da qual fora incumbida a preceito. Como escreveu o Notícias de Guimarães de 19 de Fevereiro de 1999, "em tempo de Carnaval o Vitória tirou a máscara, que há muito tinha colocado, e foi o que se viu." "Foi o despertar do gigante adormecido", ainda que, pela frente, tivesse um guarda-redes que, desde o seu regresso a Portugal, não tinha sofrido qualquer golo.

Deste modo, frente a uma equipa que era tetracampeã nacional, o Vitória surgiu "revitalizado, dinâmico, praticando um futebol alegre, como há muito não se via...", naquela que foi reputada pela maioria como a melhor exibição da época. Por isso, não constituiu qualquer surpresa que Riva abrisse ao activo ainda no primeiro quarto de hora de jogo, tornando-se no primeiro jogador a bater Baía depois que regressou a Portugal, ainda que Jardel pouco depois fizesse o que sabia fazer melhor: golos. Duraria, ainda, menos tempo a igualdade, com Edmilson a espalhar magia e a colocar os Conquistadores novamente na frente, sendo esse o resultado ao intervalo.

A segunda metade tornar-se-ia o apogeu da loucura. O terceiro tento apontado por Fredrik Söderström, entretanto entrado em campo, fez com que "entre os adeptos do Vitória era a loucura total nas bancadas. Agitavam-se bandeiras brancas, gritava-se, entoavam-se os cânticos e nem a popularíssima hola foi esquecida. Era o espectáculo dentro e fora do relvado.", que nem novo golo de Jardel foi capaz de calar. O Vitória vencia por três bolas a duas, a expulsão por vermelho directo do mal-amado Zahovic seria festejada como se de um golo tratado e ficava a certeza que "Há noites que valem mesmo a pena..."

O Vitória demonstrava vitalidade...

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