Para darmos por findo o episódio belíssimo da conquista da Taça da Liga, iremos acabar pela análise aos heróis vitorianos capazes de trazerem para as vitrinas do clube o terceiro título nacional da história.
Assim:
Charles - Se perguntassem a qualquer adepto se seria titular em Leiria, a maioria diria que não. A aposta, provavelmente, recairia em Castillo.
Mas em boa hora que a equipa técnica vitoriana o escolheu.
Será dos maiores heróis desta histórica conquista. Decisivo nos dois jogos com defesas de alto gabarito, algumas delas quase impossíveis, teve o seu apogeu quando com a defesa à grande penalidade de Zalazar garantiu a Taça. De certeza, que daqui a muitos anos, esse momento determinante ainda será lembrado. Épico, digno de um filme!
Strata - Uma boa surpresa na lateral direita do Vitória. Agressivo a defender e mais acutilante do que Maga a atacar, conseguiu sempre equilibrar a segurança no último reduto com o apoio aos extremos. Prova disso, o cruzamento delicioso para N'Doye empatar a partida contra o Sporting, num cruzamento bem medido, inteligente, a pedir para o avançado encontrar o caminho da felicidade.
E, além disso, aquele corte quase a chegar ao intervalo com a cabeça, a negar o segundo golo ao SC Braga, terá valido como um golo ao permitir aos Conquistadores chegarem com vida à segunda parte.
Nóbrega - Condicionado no jogo com o Sporting fruto de um cartão amarelo, não terá ficado isento de culpas no golo leonino. Afectado com esses dois factos, acabaria substituído por Balieiro.
Voltaria à titularidade no segundo jogo e faria uma partida absolutamente sem mácula, provavelmente, a melhor que disputou de Rei ao peito, fazendo uma bela dupla com Abascal.
Abascal - "El jefe", fiel herdeiro da filosofia de vida charrua. Com ele é antes quebrar do que torcer. Destemido, não temeu um confronto, somando cortes providenciais. Mais do que isso, foi uma voz de tranquilidade e de segurança quando tudo parecia abanar. Este Vitória já não passará sem a liderança, a coragem e a alma do sul-americano...um daqueles que nunca virou a cara aos desafios do jogo.
João Mendes - Foi infeliz no jogo da final, podendo ficar ligado ao seu desenlace. Com efeito, foi ele que cometeu a falta que permitiu a Dorgeles abrir o activo e foi num lance com ele que Hélder Malheiro apontou a grande penalidade que poderia ter mudado o destino do jogo, acabando expulso.
Porém, quer com o Sporting, quer com o SC Braga soube ser o João Mendes que bem conhecemos. Compenetrado, a dar tudo, procurou garantir a segurança do seu lado e, ao mesmo tempo, garantir o apoio ao extremo que estava à sua frente.
Beni Mukendi - O polvo. Que monstro no meio campo o Vitória apresentou em Leiria! Recuperou bolas atrás de bolas. Graças à sua boa capacidade de transporte, foi capaz de projectar a equipa para o ataque. Por isso, pode-se dizer que foi uma verdadeira trave-mestra da equipa. Um pêndulo que fez perceber a falta que fez enquanto representava a sua selecção na CAN.
Que bom ter regressado em boa hora!
Gonçalo Nogueira - Que grandes jogos fez Gonçalo em Leira. Sem virar a cara à luta, envovlveu-se em constantes pugnas pela bola, ganhando muitas delas. Mais do que isso, procurou depois de o ter feito, ser capaz de projectar a equipa para rápidos contra-golpes, num claro sinal de discernimento e de ousadia.
Pouco faltou para nos fazer felizes num cabeceamento que poderia ter empatado a final, naquele que seria um prémio justo para um jogador que afirmou-se, plenamente, nestes dois jogos.
Diogo Sousa - Uma das surpresas que Luís Pinto reservou para Leiria. E, em boa hora mereceu a aposta. Com inteligência superlativa, procurou sempre dar esclarecimento à equipa. Com uma capacidade de passe acima da média foi capaz de oxigenar o jogo nas horas de maior aperto. Mais do que isso, não virou a cara a luta, e, por isso, saiu esgotado em ambos os jogos.
Saviolo - Que qualidade técnica! Que ousadia com a bola nos pés! Na direita ou na esquerda foi um quebra cabeças para os laterais contrários.
Mais do que isso, em extraordinária forma física, foi capaz de com uma arrancada absolutamente imparável, no período de descontos da partida contra o Sporting, desestabilizar o último reduto leonino levando ao golo do triunfo. Um diamante sob a forma de tufão...
Camara - Titular no primeiro jogo, suplente no seguindo, alternou com Arcanjo. Foi o Camara de sempre. Compenetrado, concentrado, agressivo, foi importante no jogo da final ao pressionar Victor Gomes, mantendo-o mais preocupado com tarefas defensivas do que em criar desequilíbrios na frente de ataque. E, com isso, o Vitória também ganhou espaço para respirar e poder projectar-se no ataque!
Nélson Oliveira - Não foi feliz no jogo com o Sporting, ainda que tenha tido um importante papel no desgaste dos defesas adversários. Como pivot procurou construir jogos com os médios, mas ficando sempre longe da baliza.
No jogo da final, depois de 45 minutos com pouca bola, apareceria em grande na etapa complementar. Jogou, fez jogar e quase apontava um golo de compêndio numa trivela que embateu em cheio na barra de Hornicek. Acabaria expulso, quando já estava no banco por ter sido substituído, fruto do envolvimento numa discussão com elementos da estrutura adversária...ajudou aí a acalmar os ímpetos ofensivos contrários.
Balieiro - Chamado a entrar em campo no desafio contra o Sporting por Nóbrega estar condicionado com um cartão amarelo não comprometeu. Tranquilo, esteve seguro e deu a certeza que será opção a ter em conta para o futuro.
Gustavo Silva - Bons olhos o vejam. Surpreendentemente utilizado na final, onde entrou aos 77 minutos para o lugar de Saviolo, ainda está longe da melhor forma física.
Mas, de Gustavo, além do talento, espera-se alma, raça, luta...e teve isso tudo, ajudando, primeiro a equipa a adiantar-se no marcador e depois a defender o ouro...
Matija Mitrovic - Foi o substituto nos dois jogos de Beni Mukendi, quando Luís Pinto pretendeu que a bola rodasse mais depressa no meio campo do Vitoria.
No jogo com o Sporting cumpriu essa missão a preceito, fazendo a defensiva contrária dançar ao som das suas variações de flanco e distribuição de jogo. Com o Braga, quando os Conquistadores ficaram em vantagem terá sentido mais dificuldades em pautar, segurar o jogo. Fruto, talvez da sua juventude, tenha sentido o momento, ainda que jamais tivesse virado a cara à luta.
Telmo Arcanjo - Revolucionário contra o Sporting, a sua entrada em jogo para o lugar de Camara ajudou a semear a intranquilidade no último reduto contrário, tendo combinado com Strata para este dar o golo do empate a N'Doye.
Por isso, mereceu a titularidade np jogo decisivo, onde não foi tão feliz, ainda que nunca deixasse de virar a cara à luta. Para ser um grande jogador tem de ser mesmo mais regular.
Samu - Um dos grandes heróis desta conquista. Depois do golo no Dragão que ajudou a abrir as portas para o final-four da prova, seria suplente nas duas partidas. Mas seria determinante a partir do banco! Contra o Sporting teria papel activo no golo do triunfo de N'Doye, ajudando à confusão leonina que levou a bola a N'Doye para decidir o jogo. Contra o SC Braga a sua entrada em campo deu critério e posse de bola à equipa, mostrando nervos de aço na cobrança da grande penalidade que empatou o desafio.
Mais do que isso, mostrou a sua liderança ao impor-se a Camara na decisão de quem haveria de apontar o castigo máximo, como que a dizer "és um miúdo e não mereces arcar com o mundo às costas. Sou o capitão, eu assumo e se falhar estou aqui..." Não falhou e os líderes fazem-se assim!
N'Doye - Duas entradas em campo aos 77 minutos e duas vezes decisivo. Três golos, dois no período de compensação com o Sporting, e outro num voo extraordinário frente ao SC Braga, tornaram-no num verdadeiro "mister eficiência." Em pouco tempo fez muito, tornando-se, provavelmente, no ponta de lança vitoriano que mais fez os adeptos felizes desde os tempos de Paulinho Cascavel. E isso será o maior elogio que se poderá fazer a um homem escolhido para marcar golos!
Além disso, ainda ajudou a defender nas bolas paradas, sendo, por estes dias, um dos maiores ídolos dos adeptos e merecer de um cachecol em sua homenagem. Pois "eu sei que N'Doye mas é lindo"... e foi mesmo!
Luís Pinto - O homem do leme de Tondela esteve irrepreensível. Ganhou os dois jogos nas substituições, mostrou frieza e presença de espírito quando, em todos os momentos do jogo, percebeu o que a equipa pedia e sempre fez sentir o seu peso.
Os extractos da sua prelecção antes do jogo decisivo contra o SC Braga que o clube divulgou demonstram alguém que chegou facilmente ao grupo, que o tem na mão e sabe levá-lo para onde pretende.
Foi um dos grandes vencedores destes dois jogos, capitalizando confiança que lhe poderá ser muito útil em momentos posteriores.
E, vocês, concordam com a análise aos HERÓIS DE LEIRIA, cuja nota "à professor Marcelo", só poderá ser 20 valores para todos?
