COMO SE COMPROVOU QUE AS ATITUDES DE CAVALHEIROS HAVIAM MORRIDO E COM ELAS TERÁ IDO O SONHO DO REGRESSO À PRIMEIRA DIVISÃO...

Já aqui escrevemos que naquela época de 1956/57, o Vitória, então a disputar a Segunda Divisão Nacional, morreu na praia. Apesar de ter acabado a primeira fase, a Zona Norte, em grande estilo, a verdade é que perdê-lo-ia na fase decisiva, onde se juntavam os três primeiros da sua série e da Zona Sul.

Entre algumas escorregadelas, a que sucedeu na cidade vizinha perante o eterno rival terá sido das mais dolorosas. Na verdade, além do resultado, que se cifrou numa derrota por duas bolas a zero, os Conquistadores a alinharem com Lobato; Virgílio, Daniel; Cesário, Silveira, Auleta; Bártolo, Barros, Ernesto, Rola e Benje sofreram na pele uma recepção que já se pensava não ser possível por aqueles anos.

Com efeito, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 21 de Abril de 1957, "avivaram-se velhas rivalidades, mas naquele sentido mau, que julgávamos jamais poderem voltar a existir." Rivalidades essas em que não se incluíam as assobiadelas com que a equipa vitoriana foi brindada no início do jogo, nem nos lenços brancos no final do prélio, pois "isso foi atitude colectiva duma multidão, cujo controle, é evidente não pode ser muitas vezes levada a efeito."

Mais do que isso, porém, havia que censurar o modo pouco cavalheiresco como os responsáveis do emblema da cidade dos arcebispos receberam a comitiva vimaranense, "com atitudes que demonstram que o civismo, no aspecto desportivo, ainda não foi bem apreendido por todos." Além disso, outro pormenor havia a realçar e passava "pelos actos desconexos dos meninos que lançam as bolas para o campo, que sendo alunos de uma escola de jogadores, tomaram atitudes bem pouco desportivas, de tal modo que levaram o próprio árbitro do encontro a adverti-los."

Ora, tais atitudes "contrastam com outras atitudes que soubemos tomar em Guimarães, demonstrativas de que o nosso desejo de viver em paz, se guia por outros princípios bem mais salutares." A comprovar isso, o facto de "nos arquivos do Vitória existem diversos testemunhos de agradecimento, manifestados por atitudes de solidariedade que soubemos tomar, havendo até uma salva de prata que é eloquente para a razão deste nosso comentário..."

Fruto deste clima, a equipa vitoriana entraria de forma assustada na partida. Assim, duas falhas nos primeiros dez minutos, levaram a que o conjunto da casa marcasse dois golos, derrotando os Conquistadores... era mais um tropeção (e quase decisivo) no objectivo declarado de promoção! Este teria assim que esperar mais um ano...

NOTA: A equipa apresentada na fotografia não se refere a essa partida do dia 14 de Abril de 1957. Por não encontrarmos qualquer representação desse jogo, optamos por colocar uma imagem alusiva, apenas, a essa temporada.

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