I - Não se viveu uma noite fácil no D. Afonso Henriques. A necessidade de vencer, depois do estrondoso escorregão em Alverca, toldou e moldou os espíritos. Da bancada, desde cedo, os nervos ressaltaram e, provavelmente, ter-se-ão reflectido no relvado, logo nos primeiros minutos, como a história do jogo demonstraria.
II - A comprovar isso, o facto de ainda muitos vitorianos não se terem acomodado devidamente nos seus lugares, o Vitória já estar a perder por uma bola a zero. Um balde água fria, que comprovou a permissividade do último reduto defensivo, com Abascal, principalmente, a revelar-se incapaz de travar o jogador açoriano.
Nesse momento, temeu-se o pior para uma equipa que hoje apresentou como novidades Samu no meio campo no lugar de Matija Mitrovic e Fábio Blanco na posição de Telmo Arcanjo.
III - Verdade seja dita, que, apesar de se perceber a sofreguidão vitoriana a partir desse momento, o jogo só deu Vitória. Com Beni a tentar empurrar a equipa para a frente e Fábio a tentar desequilibrar na esquerda, o Vitória foi acumulando lances perto da baliza adversária, ainda que não sendo capaz de chegar ao golo.
Apesar disso, destaque para algumas decisões dúbias do juiz João Gonçalves, mormente na admoestação de um jogador do Santa Clara no momento em que Nélson Oliveira se isolava e em outro lance na área deste emblema em que no estádio ficou a sensação de ter feito vista grossa a uma grande penalidade favorável aos Conquistadores.
IV - E já que falamos em Nélson Oliveira teremos de dizer o que pensamos. Por muito que nos custe, Nélson, neste momento, não dá à equipa o que ela precisa. Sem presença na área, procura sair desta para tabelar com os colegas. Porém, de costas para a balizarem demonstrado dificuldades em ser associativo e tornar-se útil neste momento de jogo. E, mesmo quando o consegue, revela-se inoperante onde tem de decidir. Atendendo a estes factos, até para fazer o jogador "respirar" e ganhar forças, provavelmente, terá chegado o momento de Luís Pinto o resguardar... para bem da equipa, mas, também, dele!
V - A perder ao intervalo, Luís Pinto percebeu que teria de mudar algo. Fê-lo a triplicar. Assim, Mitrovic assumiu o lugar de Miguel Nogueira, Lebedenko entrou para a posição de João Mendes e N'Doye assumiu o papel de pivot atacante em vez de Nélson Oliveira.
O jogo, esse, manteve-se no mesmo tom, com o Vitória a comandar completamente os Conquistadores e a tudo fazer para chegar ao empate.
VI - Conseguiria tal desiderato num cabeceamento de N'Doye, mas ao qual seria assinalado fora de jogo. Parecia que os Conquistadores iriam bater consecutivamente numa muralha defensiva, reforçada por irritantes momentos de anti-jogo, numa manifestação excessiva de futebolzinho à portuguesa, pouco atractivo e capaz de utilizar todos os artifícios à disposição para a água ser levado ao moinho insular.
VII- Até que, finalmente, depois de Camara e Arcanjo já estarem em jogo, chegou o momento pelo qual o D. Afonso Henriques suspirava. Uma jogada bem urdida que envolveu o passe inteligente de Camara, a assistência milimétrica de Samu e o cabeceamento felino de N' Doye, na confirmação que quando a criatividade na construção e a voracidade na área se unem são quase infalíveis.
VIII - Incendiou-se o vulcão do D. Afonso Henriques. Uma erupção violenta, impagável, que aturdiu o Santa Clara de modo tão contundente, que cinco minutos após a primeira explosão, o Vitória deu a cambalhota no marcador, numa recarga de Samu. O capitão vitoriano foi, de longe, o melhor em campo, jogando, fazendo jogar, correndo, contagiando os colegas, e, ainda, teve pulmão para realizar uma assistência e marcar um golo. Mais e melhor não poderia ter feito no seu regresso à titularidade da equipa!
IX - Pensou-se que a equipa, com cinco minutos à Vitória, iria sentir-se confiante para manter o jogo sob controlo. Puro engano! Com o receio de ver a vantagem esvair-se entre os dedos, o Vitória recuou no terreno. Deixou de procurar sequer manter a bola, limitando-se a despejá-la para o meio campo contrário. Uma equipa a querer ser feliz, mas a ser incapaz sequer de levar a cabo os procedimentos necessários para tal ocorrer.
X -E seria com o credo na boca que Abascal de vilão no lance do golo adversário, tornar-se-ia herói ao tirar sobre o risco de golo uma bola que parecia ter o destino definido. Um momento que gelou os mais de 14.500 adeptos presentes e que, apesar desses tremeliques finais, seria de injustiça atroz para o Vitória.
XI -E, assim, chegar-se-ia ao final do desafio, com o Vitória a regressar aos êxitos. Haverá muito trabalho a realizar, mas a vontade e capacidade psicológica da equipa ir atrás do resultado merecerá realce. Com efeito, não seria fácil depois do sucedido em Alverca e após um golo tão precoce hoje ir atrás do resultado durante tão longo período do tempo. O Vitória foi-o e isso serão indícios de saúde e de capacidade...física e psicológica!
XII - Segue-se uma semana de interregno atendendo aos compromissos da selecção nacional, para depois dar-se o pontapé de saída na Taça de Portugal em casa da União de Lamas. Esperamos que seja o pontapé de saída num percurso que só culmine em Maio de 2026, no Jamor.... VIVA O VITÓRIA, SEMPRE!
