COMO SOEIRO DESENCADEOU UMA GUERRA ENTRE VITÓRIA E MARÍTIMO, QUE ACABOU COM A FPF, MAS TAMBÉM A FIFA, AO MEIO...

Soeiro será, para sempre, um nome ligado ao Vitória.

Natural de Guimarães e formado nos Conquistadores, seria nestes que o médio defensivo se afirmaria como profissional, depois de empréstimos ao Lixa, Fafe e Elvas.

Porém, nada na vida, e muito menos no futebol, será eterno e, no final da temporada de 1991/92, seduzido por um novo desafio, tentaria uma aventura na Madeira, ao serviço do Marítimo, que durou três temporadas, antes de regressar ao Vitória.

Contudo, seria essa incursão insular que desencadearia uma polémica, com queixas à FIFA pelo meio, num imbróglio que, como o jornal A Bola de 05 de Junho de 1993 deu a conhecer, começou com o compromisso assumido com os maritimistas para com o médio defensivo, baseado no Regulamento de Transferências vigente e que levou a que o Vitória exigisse a devida contrapartida, sem ser paga.

Por essa razão, o caso haveria de ser julgado na Comissão Arbitral da FPF que decidiu que o emblema vitoriano teria de ser ressarcido em 68 mil contos, o equivalente a 340 mil euros actuais, até ao dia 28 de Maio daquele ano.

Não obstante essa decisão, o emblema madeirense não pagaria o montante a que fora obrigado, com fundamento no facto de a Comissão ser ilegal e estar mal constituída, o que origanaria que as suas decisões não fossem válidas. Tal levou a que recorressem aos tribunais comuns, que segundo a tramitação processual prevista, citaram os Conquistadores para contestarem a acção.

Ora, para além disso, o Vitória resolver recorrer à FIFA, atento que "O artigo 57 dos Estatutos deste organismo proíbe o recurso aos tribunais comuns e refere, inclusive, que quem praticar tais actos fica suspenso de todas as provas oficiais." Por isso, o Vitória solicitou que toda a documentação fosse enviada para o órgão máximo do futebol mundial para ser-lhe dado o devido seguimento.

Atento a isso, ficava a promessa de intransigência, com os vitorianos a lembrarem que "o próprio Conselho de Disciplina da FPF já instaurou imensos processos e o seu porta-voz veio a terreiro, uma vez mais, lembrar que quem não pagar será suspenso."

Era mais um caso no futebol português, que acabaria por ser resolvido e até, inclusivamente, Soeiro, depois de três temporadas e 86 jogos na equipa do Funchal, haveria de regressar a casa para mais uma temporada, a sua última de Rei ao peito.

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