Ponto prévio: pintar muros e paredes configura o crime de dano previsto e punido no Código Penal português. Portanto, quem teve esta ideia será, simplesmente, um criminoso e deverá ser tratado assim.
Porém, valha-nos o alívio que esta espécie de criminosos, travestidos pelo eufemismo de serem activistas, não serão vitorianos.... ainda que não acreditemos que, também, não sejam discípulos de Cervantes desde os bancos iniciais da escola.
E não serão vitorianos porque saberiam que o Vitória será sempre um clube que recebeu todas as cores políticas e disso se orgulhou.
Foi no Vitória que, em 1949, dois blocos se formaram, numas eleições presidenciais portuguesas em que a palavra democracia gerava dúvidas. Assim, se António Faria Martins, que viria a ser presidente honorário do clube no início da década de 80, e José Pinto Rodrigues, que viria a ser também presidente, apoiavam o candidato da oposição, o General Norton de Matos, enquanto Antero Henriques da Silva, então presidente do clube, e o capitão de equipa Curado apoiavam o candidato do regime, Óscar Carmona. Porém, nem por existir essa divisão fracturante as partes se zangaram... o Vitória era, como sempre foi, um vínculo de união, independentemente de cores políticas ou de religião.
Mas, foi no Vitória, também, em 1975 que os sócios desagravaram o Presidente António Rodrigues Guimarães, depois de ter sido acusado de ter ligações com o antigo regime. Seria pelo facto do clube ser superior a ideologias, que foram em cortejo a sua casa a Pevidém, pedindo-lhe que reconsiderasse na sua intenção de se demitir do cargo.
Ainda seria por ser um clube acima da política, que Pimenta Machado fez do presidente da Câmara, António Xavier, presidente da Assembleia-Geral, o que não impediu os sócios de se manifestarem em frente ao Convento de Santa Clara a pedir que o estádio fosse alvo de melhoramentos.
Também, foi por ser supra-político, que o acordo para a passagem do estádio para as mãos do Vitória foi concretizado com elementos do PSD e do PS no Restaurante Baptista.
Por isso, entre tantos outros exemplos, o Vitória estará sempre acima de direita ou esquerda... de ideologias liberais ou globalistas! Será sempre o berço dos que o amam, independentemente de cores, desde que venham por bem! Ao contrário dos malfeitores que danificaram o património que qualquer adepto tem tanto orgulho...
