COMO COM O VITÓRIA "DADO COMO MORTO", A ESPERANÇA VIRAR-SE-IA PARA UM NOVO CLUBE SURGIDO...

O período mais difícil da vida vitoriana terá sido quase logo a seguir à sua fundação, pouco antes da entrada na década de 30 do século passado.

Na verdade, com dificuldades de organização, sem um campo para jogar, o Vitória correu sérios riscos de frutificar e chegar aos tempos de hoje. Terá valido a paixão e a carolice de alguns homens que não hesitaram andar de casa às costas para que o Vitória continuasse activo e a paixão pelo símbolo não esmorecesse.

Porém, o Ecos de Guimarães, periódico vimaranense que existiu entre 1914 e 1928, num dos seus últimos números publicados, o de 10 de Novembro desse seu derradeiro ano, anunciava o surgimento de um novo emblema na Cidade Berço: o Grupo Atlético Desportivo Português.

Tinha como objectivo "procurar uma casa que lhe servisse de sede", ainda que o cronista responsável pela notícia, Ruy de Lencastre, achasse que "o primeiro passo a dar seria antes o arrendamento do Campo de Jogos da Perdiz, que é relativamente barato... "

Ora, se tal já nos poderia levar a questionar a situação do Vitória, pois houvera utilizado o referido recinto, mais inquietante seria a justificação dada para esta escolha, pois, era dito que "está sem arrendatário, desde há tempos, pela liquidação infeliz do grupo existente nesta cidade." Ou seja, relativamente ao Vitória considerava-se que o mesmo já não entrava para as contas, ainda que o Atlético pudesse dedicar-se a outras modalidades para além do futebol, pois "não sabemos a que género ou géneros de desporto se vai dedicar o nóvel grupo, mas julgamos que se dedicará mais ou menos a todas..."

Assim, para o novo emblema frutificar seria necessário um campo de jogos "que se destinaria não só a desafios de foot-ball e a ténis, ms também a exercícios de ginástica, a corridas, a saltos, a distrações de vária ordem."

Todavia, o último parágrafo da crónica consultada parecia ser premonitório, ao anunciar que "creiam os rapazes do Atlético Desportivo que se não seguirem os conselhos que lhes damos, a sua ideia generosa será um insucesso a mais, numa terra que, triste é dizê-lo, bem pode chamar-se a terra dos insucessos..." E, assim seria, até à reabilitação do Vitória, por obra e mérito de Carlos Machado... mas isso será outra história!

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