Era um filho dilecto...
Descoberto menino, percorreria todos os escalões de formação, até afirmar-se na temporada de 2012/13 como um dos baluartes defensivos da eqiuipa. Aliás, Paulo Oliveira ter~se-á tornado num dos principais ídolos vitorianos, tendo ficado na memória a absolutamente irrepreensível exibição que protagonizou na Final da Taça de Portugal frente ao Benfica.
No fundo, nesse período e na temporada seguinte, tornou-se membro de pleno direito da família Conquistadora, se a ela já não pertencesse, por ter entrado muito jovem no clube. Por isso, quando foi vendido ao Sporting no final da temporada de 2013/14, por cerca de 2 milhões de euros, mais do que um bom jogador, era vendido um símbolo da formação e um exemplo que todos os jogadores vitorianos deveriam seguir.
A partir desse momento, a sua carreira seria acompanhada com interesse por todos os adeptos Conquistadores. Atento a esse vínculo, o Vitória terá tentado resgatá-lo logo em 2017, como foi escrito no Guimarães Digital, "o espaço de Paulo Oliveira para jogar na equipa de Jorge Jesus encurtou-se e a sua cedência ou transferência passou a ser uma hipótese. É aí que entra o Vitória, desejoso de resgatar um jogador que deu nas vistas em Guimarães antes de ser transferido exactamente para o Sporting em 2013."
Porém, esse interesse seria acompanhado pelo do eterno rival, que já nessa altura tentou a contratação do jogador, que, contudo, acabaria por tentar a aventura na Liga Espanhola, no Eibar. Durante as quatro temporadas seguintes, o defesa central seria sempre olhado como objecto de desejo, até que findou o seu vínculo contratual no final da época de 2020/21... era o desejo do regresso que se reacendia. A ajudar a isso, a reestruturação do plantei vitoriano gizada por Pepa, depois do malogro do projecto dos potros, e que incluía nomes como Alfa Semedo, Tomas Handel e Tiago Silva.
Para isso, o Vitória, na pessoa do seu presidente, Miguel Pinto Lisboa resolveu apostar forte. Tanto que prometeu-lhe um contrato de quatro anos, com um salário ao nível dos mais altos praticados pelo Vitória e a promessa de fazer dele capitão de equipa... não se estivesse a falar daquele que deixara tantas saudades e que era visto como um exemplo.
Todavia, mais uma vez, o eterno rival interessou-se por ele. Começou a cortejá-lo, a seduzi-lo, a ponto do que, aquele que outrora, fora um dos símbolos da boa recepção de valores vitorianos começou a fraquejar. A olhar para essas tentativas com interesse, a ponto de dizer que não ao clube que fizera dele homem e comprometer-se com aquele.
Mais do que isso, fê-lo, aceitando que o anúncio da sua apresentação constituísse uma afronta ao Vitória, num vídeo em que assumiu a sua escolha através de um comprimido vermelho, ao invés do branco. Uma escolha de cores nada inocente, a roçar o malicioso, e a comprovar que o, outrora, menino modelo escolhera de vez cortar o vínculo com o clube que fizera dele um homem e o projectara no futebol.
Com um lugar de central para ocupar e emparceirar com Mumin, André Amaro e Jorge Fernandes, o Vitória teria de agir rápido... e apostaria naquele que era o grande desejo do eterno rival, até resolver atacar o alvo vitoriano. Com efeito, a despontar no Rio Ave, estava um croata que chegara como perfeito desconhecido a Portugal, até se afirmar no clube vilacondense, principalmente sob o comando de Carlos Carvalhal... que, naquele momento, era o treinador bracarense. Aliás, o portal Mais Futebol de 21 de Junho de 2021 até escrevia que " ...sabe que os bracarenses ofereceram cerca de 1,5 milhões de euros ao Rio Ave pelo defesa croata. O negócio entre as duas partes ainda não está fechado, até porque o emblema minhoto não é único interessado e concorre com mais clubes."
Falamos de Toni Borevkovic, que a 08 de Julho desse ano, seria anunciado como jogador dos Conquistadores, a troco de 1.2 milhões de euros por 80% do passe e uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros. Seria o início de uma relação feitas de dificuldades com um primeiro ano marcado por lesões, e em que mesmo assim continuou a jogar, um empréstimo ao Hajduk Spilt, um período a treinar à parte e a já inesperada afirmação definitiva sob a mão de Álvaro Pacheco até à partida definitiva, ainda que, podemos confidenciar, sem esquecer e deixar de acompanhar a realidade vitoriana... tudo por causa de um suposto filho dilecto e um comprimido que escolheu tomar!
