COMO AQUELA DESLOCAÇÃO DE COMBOIO A LISBOA HÁ-DE PERDURAR PARA TODO O SEMPRE NA MEMÓRIA DOS VITORIANOS...

"Foi motivo de festa, o comboio da esperança vitoriana que levou à Luz centenas de vitorianos."

Era assim que o jornal do Vitória de Novembro de 1980 intitulava uma das mais históricas digressões de adeptos Conquistadores à capital. Referimo-nos ao desafio referente à 11ª jornada do campeonato nacional de 1980/81, jornada em que o Vitória se deslocou ao estádio da Luz para defrontar o Benfica.

A ajudar a todo essa paixão, o facto de no banco dos Conquistadores encontrar-se José Maria Pedroto, lendário técnico, que assumira a equipa depois do despedimento de Fernando Peres e que resgatara os níveis de confiança de todos os vitorianos. Tanto que, na jornada anterior, para aumentar a ilusão para níveis estratosféricos, no sempre apetecível derby do Minho, o Vitória houvera triunfando sobre o velho e eterno rival por cinco bolas sem resposta.

Por isso, aquele fim de semana de 22 e 23 de Novembro de 1980 foi de mobilização total dos adeptos transformando a digressão, segundo o jornal consultado, em um "êxito total a organização do comboio vitoriano a Lisboa para assistir ao jogo com o Benfica, como prova o facto de a sua lotação se ter esgotado em poucas horas."  Na verdade, os vitorianos, nas horas mais importantes, jamais dirão que não ao seu clube, estando presentes nos momentos mais inesquecíveis e determinantes.

Porém, a verdade é que a viagem teve muitos momentos relevantes. Deste modo, "no Sábado, antes da partida, o povo fez uma festa, reunindo-se junto dos Bombeiros, onde uma fanfarra alegrava os espíritos e dizia a toda a gente que a deslocação à capital seria uma alegria, no comboio da esperança." Por essa razão, pelo aspecto festivo do momento, as ruas da cidade encheram-se de pessoas "para ver a banda passar", mas, também, para dar ânimo, alento a quem ia deslocar-se a Lisboa na esperança de trazer na bagagem um triunfo.

Mas se a cidade encheu-se, o que dizer junto à estação? Aí, "foi um espectáculo", "tendo-se juntado ali uma multidão incalculável para dizer adeus aos que partiam." Por isso, o trânsito teve de ser interrompido, ainda que quem estivesse dentro dos carros incentivasse os que iam, exortando-os a nunca esmorecerem no apoio aos atletas vitorianos. Além destes, "alguns houve que se juntaram ao comboio, acompanhando-o quilómetros e quilómetros pela estrada, acenando com as bandeiras vitorianas e buzinando alegremente os claxons das suas viaturas." Companhia essa, que era reforçada por quem nas estações onde o comboio parava, incentivava os que iam dentro a não cederem nos seus propósitos vitorianos.

Mesmo a ser realizado o transbordo em Lousada, passando os viajantes a ocupar um comboio que só pararia em Lisboa, continuava a fanfarra a animar "incessantemente todos os elementos da caravana, tocando modinhas acessíveis a todos e do agrado geral.”

Até que pelas 20 horas e 30 minutos chegou-se a Lisboa. Para dar um espectáculo inesquecível a quem a ele assistiu. Pelo amor ao branco e ao preto, as cores que aprendemos a amar. Pelo orgulho de ser Vitória, de ser Guimarães. Ou seja, foi o delírio. Absoluto! "As bandeiras eram agitadas freneticamente no ar pelas largas centenas de adeptos do Vitória, que adornados com bonés e cachecóis com as cores vitorianas, manifestavam a sua alegria pelo termo da viagem, enquanto a fanfarra executava mais um número do seu imenso repertório, atroando os ares com a alegria arrancada aos seus inúmeros bombos." Daí, seguiu-se em cortejo da estação de Santa Apolónia até ao Rossio, altura em que todos se separaram.

Com efeito, era hora de cada um recolher aos locais que haviam destinado para a pernoita. Para "no Domingo, logo pela manhã, a reunião dos adeptos vitorianos, fez-se de novo e a alegria continuou pelo tempo adiante, até à hora do jogo.”

Aí, com o Vitória a alinhar com Damas; Ramalho, Tozé, Festas, Gregório Freixo; Nivaldo, Abreu, Ferreira da Costa, Barrinha; Mundinho e Blanker, a partida "decorreu com superioridade vimaranense no que diz respeito a jogo jogado." Porém, o bis de João Alves e a expulsão de Mundinho levaram a que a equipa da casa vencesse por duas bolas sem resposta, ainda que, pelo menos, no plano exibicional "todos estavam satisfeitos."

Assim, deu-se o regresso, "revivendo-se as peripécias do jogo e cimentando a esperança no futuro do Vitória..." Enquanto isso sucedia, "a fanfarra jamais parou (...) e chegou-se a Guimarães por volta da uma hora e trinta da manhã..."  Os vitorianos davam mais uma prova inequívoca de amor clubístico que, ainda, hoje é recordada!

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