COMO ABREU, POR UM DIA, DESEMPENHOU NOVAS FUNÇÕES, AINDA QUE O FUTURO PASSASSE PELO MELHOR TREINADOR PORTUGUÊS DA ALTURA...

A temporada de 1980/81 era de grande aposta no Vitória...

Com um novo presidente, Pimenta Machado, com jogadores como o guarda-redes Damas, Gregório Freixo, Nivaldo, Mundinho e Blanker contratados, era de esperar uma temporada em grande sob a orientação de Fernando Peres.

Não seria assim, com o treinador a ser despedido após a sétima jornada do campeonato, quando perdeu em Espinho por três bolas a uma, de nada valendo o tento do neerlandês que chegou a ser comparado a Johan Cruyff.

Mas não seria só por isso que Pimenta perdeu a paciência com este, pois, como escreveu o jornal do Vitória da altura, existiam "motivos laborais que vinham impedindo o rendimento normal da equipa profissional do Vitória". Por isso, a equipa técnica seria suspensa, ainda que segundo a publicação consultada "A Direcção, apesar de todos os esforços feitos no sentido de remediar a questão, não viu a sua boa vontade correspondida por uma das partes, que se negou terminantemente a colaborar." Tratava-se do treinador Fernando Peres que não aceitou negociar com o Vitória a sua rescisão contratual.

Assim com um conflito em mãos, "optou-se pelo único caminho legalmente possível: suspensão imediata e organização do respectivo processo disciplinar", tendentes à rescisão unilateral com justa causa do treinador e o seu adjunto, Cassiano Gouveia. Não obstante isso, a direcção procurou chegar a acordo com os técnicos, algo que, como já de demos a entender, foi muito mais fácil de conseguir com o adjunto do que com o principal.

Com os técnicos suspensos, era necessário arranjar uma solução imediata, ainda que provisória, que passou por entregar a equipa ao seu capitão, homem da casa e formado no clube, Abreu, pela direcção estar convencida "ser ele o homem indicado para o efeito..."

Assim, durante algumas horas, apesar de surpreendido, aceitaria o repto e "durante algumas horas, no relvado do Municipal de Guimarães, preparou e preparou-se com afinco, juntamente com os seus colegas, a um trabalho aturado, mas alegre." Apesar disso, no final da sessão, "deve ter pensado que ainda era cedo para se meter em tais cavalarias."

Como escrevia, contudo, o jornal do clube, "a verdade que fica para a história é que o Capitão Abreu no dia vinte e um de Outubro foi o responsável pela equipa principal do Vitória." A Santíssima Trindade, composta pelo treinador José Maria Pedroto e os seus adjuntos Artur Jorge e António Morais iria chegar muito em breve, mas isso já será outra história...

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