COMO É PRECISO REFLECTIR, ASSUMIR OS ERROS QUE SE COMETERAM... E TENTAR REMEDIÁ-LOS SE FOR POSSÍVEL... AINDA QUE LUÍS PINTO NÃO SEJA O MAIOR DOS CULPADOS!

I - Ponto prévio: Luís Pinto não pediu a quem quer que fosse para ser treinador do Vitória e, provavelmente, se lhe perguntassem se aceitava perder nomes como Filipe Relvas, Borevkovic ou até Bruno Varela torceria o nariz.

Com efeito, se o sentido da vida é uma constante evolução não se entende como o conjunto vitoriano e quem por ele é responsável aceitou ir a jogo com um decréscimo claro de qualidade em relação ao ano passado.

II - Apesar desse intróito, a verdade é que o Vitória entrou bem na partida perante o Moreirense. Com o técnico Luís Pinto a reconhecer que o sistema táctico utilizado nos dois primeiros jogos não tivera o sucesso que acreditara poder vir a ter, e, por isso, a optar por um 4*3*3 com Nuno Santos nas costas de Nélson Oliveira e com Vando e Gustavo a extremos. Parecia que finalmente o caminho da simplicidade iria ajudar o Vitória a resolver alguns dos problemas com que se deparou nas duas primeiras jornadas.

III - E, assim sucedeu no início da partida. Com o Moreirense surpreendido pelo modelo apresentado e com os jogadores mais tranquilos nas tarefas a desempenhar, o Vitória foi mandão e pareceu poder chegar ao golo a qualquer momento. Nuno Santos, vagabundo nas costas de Nélson Oliveira, pautava o jogo, coadjuvado por Tiago Silva, e Vando Félix procurava criar desequilíbrios na direita.

IV - Por isso, o jogo era todo do Vitória. Porém, paulatanimente, a equipa da casa foi adapatando-se ao modelo dos Conquistadores. Apesar do Vitória continuar a dominar o jogo, a passar grande parte do tempo no meio campo contrário, a verdade é que poucas ou nenhumas oportunidades foi capaz de criar. Mais do que isso, a criatividade do sector medular foi-se desvanecendo, contando-se pelos dedos as jogadas interiores que o onze de Luís Pinto foi capaz de gizar. Assim, sem ideias, a equipa bastava-se num irritante e lento carrossel até algum lateral ou extremo contentar-se em despejar a bola para a área cónega, sem qualquer resultado prático.

V - Se a primeira parte acabou assim, o que que dizer da entrada na segunda? Provavelmente, uma das piores entradas em jogo da história centenária dos Conquistadores. Desligados, desconcentrados, com a cabeça em qualquer lugar menos no relvado, aos sete minutos já o Vitória perdia por duas bolas a zero... com a defesa em especial Abascal nos dois golos e Maga no segundo a ficarem muito mal na fotografia. Na verdade, se no ataque pouca qualidade tem-se visto, os processos defensivos deverão merecer reflexão profunda de quem de direito, pois, em três jogos terem-se sofrido sete golos é preocupante! Ou é necessário evoluir muito, ou, então, efectivamente, houve um decréscimo profundo de qualidade em relação ao ano passado e isso deverá preocupar quem realmente gosta do Vitória...

VI - A partir desse momento, a equipa foi incapaz de reagir. De dar um safanão, num assomo de orgulho que tantas vezes distingue os Conquistadores dos demais. Verdade se diga, e aqui há que criticar o técnico vitoriano, as substituições feitas pouco ou nada ajudaram. A equipa tornou-se numa manta de retalhos. sem um esquema definido, sem os jogadores em posições definidas, cada um a tentar resolver por si aquilo que o colectivo era incapaz de revolucionar. A provar isso, mesmo a perder, os Conquistadores foram incapazes de criar uma importunidade de golo, só tendo feito um remate enquadrado com algum perigo num lance de bola parada, por Tiago Silva.

VII - Assim, chegava-se ao final da partida, com o Vitória a averbar a segunda derrota em três partidas disputadas. Mais preocupante do que isso, o facto de sentir-se, até pelas palavras de Luís Pinto no final da partida, que os jogadores e o treinador começam a não estar na mesma onda. Além disso, que as soluções deste não são suficientes para levar o Vitória ao sucesso, ainda que não conte com os meios que Rui Borges e Luís Freire tiveram na temporada passada.

VIII -E, chegados aqui, temos de questionar a política desportiva vitoriana. Vendeu-se Bruno Varela, apostou-se num jovem guarda-redes colombiano que custou um milhão de euros...para ser suplente do anterior suplente do antigo capitão de equipa. Gastaram-se seis milhões de euros no mercado e nenhuma dessas apostas é titular na equipa. Beni, um dos mais caros jogadores da história, não é capaz de assumir a titularidade, nem com um Handel a 50'% das suas reais capacidades. Teremos tido a perspicácia necessária no mercado, ainda para mais quando os sinais dados ao mesmo passam pelo facto do Vitória, ainda, passar por dificuldades, como as vendas de Toni Borevkovic e de Filipe Relvas indiciaram?

IX - Segue-se, agora, o Arouca no próximo Sábado pelas 18 horas. Depois das declarações de Luís Pinto no final da partida (caso este, ainda, seja o treinador do Vitória), será de prever uma revolução no onze. Caso contrário, perderá a autoridade que ainda tem perante a equipa, demonstrando que as palavras por si só de nada valem. Independentemente disso, será imperioso vencer... até para recuperar alguma confiança que se foi perdendo neste atribulado início de época.

X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...

Postagem Anterior Próxima Postagem